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      Preocupações dos EUA em relação ao renminbi digital podem afectar operadoras de Macau

      Segundo o Asia Gaming Brief (AGB), os planos de Pequim para apresentar o renminbi digital (eCNY) podem vir gerar algumas ondas nas relações com os Estados Unidos, o que pode ser uma preocupação para as operadoras de jogo norte-americanas de Macau.

       

      No início deste mês, o Senador Republicano, Pat Toomey, enviou uma carta à Secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, e ao Secretário de Estado, Antony Blinken, mostrando-se preocupado com o lançamento do renminbi digital a uma audiência estrangeira durante os Jogos Olímpicos de Inverno em Pequim.

      Os visitantes da Vila Olímpica só poderão efectuar pagamento em numerário, com cartão de crédito Visa e eCNY, sendo que antes da chegada das Olimpíadas de Inverno de Pequim as autoridades chinesas já tinham pressionado algumas empresas norte-americanas, como a McDonald’s, Visa e Nike, para instalarem o sistema de renminbi digital.

      “Os analistas aumentaram o potencial do eCNY para subverter as medidas sancionatórias impostas pelos EUA, o que facilitou o fluxo de dinheiro ilícito, melhorando as capacidades de vigilância da China e solidando em Pequim as vantagens do pioneirismo, tais como o estabelecimento de padrões no âmbito de pagamentos digitais transfronteiriços”, referiu o Senador Republicano.

      Pat Toomey pediu à Secretária do Tesouro e ao Departamento de Estado que acompanhassem de perto a implementação e disponibilizassem um relatório até 7 de Março devido ao potencial impacto sobre os interesses económicos e de segurança nacional dos EUA.

      O eCNY é apoiado por tecnologia de cadeia de bloqueio, mas ao contrário de moedas descentralizadas como a bitcoin, é controlado pelo Banco Popular da China através de contabilidade centralizada. Isto permite à instituição bancária localizar todos os pagamentos efectuados em renminbi, garantindo uma supervisão completa dos fluxos monetários, tanto a nível interno como externo.

      A moeda electrónica foi concebida para substituir o dinheiro em numerário em circulação e está a ser testada nas cidades do interior da China há cerca de dois anos. O plano pode ser amplificado para Hong Kong no final deste mês, potencialmente alargando o seu alcance a Macau a partir do segundo trimestre.

      “Se olharmos para isto de uma perspectiva geopolítica, há uma forte oposição dos partidos de extrema direita”, afirmou Eric Coskun, director de projectos de casino da IGamiX Management & Consulting, adiantando que “o renminbi digital é uma das maiores preocupações que têm”.

      Uma das principais preocupações é sobre o nível de dados sobre pagamentos que Pequim terá acesso. Para as operadoras de jogo que possuem propriedades nos EUA e estão sujeitas ao escrutínio realizado por reguladores norte-americanos para as suas licenças domésticas, isto pode constituir um problema, explica Coskun. “Haverá pressão sobre eles para evidenciar as suas posições muito claras sobre a forma como estão a lidar com a moeda e como estão a lidar com os dados”, referiu.

      Há um ano, falar da utilização de renminbi digital nos casinos de Macau seria “quase um sonho”, referiu Coskun. No entanto, o calendário parece estar a acelerar e algumas das operadoras de jogo mais viradas para o futuro já estão a estudar a forma como será implementado nas suas operações, disse Coskun. “Acreditamos também que a utilização do renminbi digital poderá ser incorporada nos termos de licenciamento”, frisou.

      A introdução de uma moeda permitirá uma transparência muito maior para Pequim controlar os fluxos de caixa e o que os seus cidadãos estão a gastar. Alguns dos grandes apostadores podem fugir ao escrutínio, mas isso irá provavelmente facilitar a vinda dos principais visitantes do mercado de massas, eliminando assim a necessidade de operação de câmbio.

      No entanto, a China tem uma visão mais ampla para que o renminbi digital se torne um sistema de pagamento internacional e transfronteiriço, e esta é uma grande preocupação tanto para os governos dos EUA, como para os governos europeus, que estão muito atrasados nas tentativas de digitalização das suas próprias moedas.

      “A corrida da China para desenvolver uma moeda digital do banco central deve ser vista no contexto dos esforços de Pequim para arrancar influência e poder global dos EUA”, revelou a economista da Enodo Economics, Diana Choyleva, ao Nikkei Asia no ano passado. O renminbi digital é cada vez mais um componente-chave de uma alternativa para Pequim onde se fundamenta a ordem monetária em dólar estadunidense.

      A utilização do renminbi digital pode ser particularmente apelativa para os parceiros da China no âmbito da iniciativa chinesa “Uma Rota Uma Faixa”. Para eles, os sistemas de pagamento baseados em dólares americanos são dispendiosos, enquanto Pequim já construiu uma base forte de poder.

      É neste contexto que Coskun argumenta que as tensões geopolíticas ainda podem surgir no novo concurso para a concessão de licenças de jogo de Macau. Embora tenha havido um suspiro colectivo de alívio após a publicação do projecto da lei do jogo em Macau sobre a expectativa de que cada uma das operadoras actuais consigam proceder à renovação de licença, a pressão pode ainda não ser aceite por Washington.

       

      Ponto Final
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      Redacção do Ponto Final Macau