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      Macau e Brasil vencem primeira edição do concurso infantojuvenil de contos e ilustração da Somos-ACLP

      Lançada em Setembro de 2021 pela Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa, a iniciativa tem como objectivo a promoção do gosto pela leitura e escrita em língua portuguesa entre os alunos de escolas de países e regiões lusófonos. O escritor angolano Ondjaki, padrinho da iniciativa, referiu que é “bonito que várias partes do mundo, várias vozes, vários dedos e corações de crianças, se reúnam em torno do mar simplesmente para escrever”. Segunda edição do concurso deverá ser apresentada em Setembro de 2023.

       

      A Escola Primária Luso-Chinesa da Flora, em Macau, e o Instituto Pandavas Núcleo de Educação, Cultura, Ações Socioambientais, no Brasil, foram os vencedores da primeira edição do Concurso Infantojuvenil “Era Uma Vez…O Meu Mar”, na categoria de conto e ilustração, respectivamente, lançado pela Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa (Somos-ACLP).

      O conto “Long e Hoo os piratas afortunados” de Macau arrecadou o primeiro lugar, tendo arrecadado um prémio com valor pecuniário de 7.500 patacas. O júri atribuiu ainda duas menções honrosas. Uma a Cabo Verde, com o conto “O Mar de Cabo Verde”, e a Timor-Leste, com o “O Rei Maquiavel”.

      Já na categoria de ilustração, o Brasil sagrou-se vencedor ao desenhar o conto de Portugal recebendo um prémio no valor de 5.000 patacas. Igualmente duas menções honrosas foram atribuídas nesta categoria: a Portugal com a ilustração do conto de Angola, e a Timor-Leste com o seu contributo para a história de São Tomé e Príncipe.

      “O balanço foi extremamente positivo. Confesso que pensava que iria ser mais difícil e pensava que as escolas iriam estar muito resistentes em participar neste concurso, mas fomos fortemente surpreendidos pela positiva”, começou por dizer ao PONTO FINAL a presidente da associação, Marta Pereira.

      Recorde-se que a iniciativa envolveu a participação de uma escola por cada país/região, num total de nove instituições e destinou-se a alunos do 5º e 6º anos de escolaridade (10 aos 12 anos) das instituições de ensino participantes, onde o português é utilizado como língua veicular. Cada escola concorreu com um conto original produzido individualmente ou em grupo. Numa fase posterior, os contos foram distribuídos aleatoriamente por todas as escolas participantes para a respectiva ilustração.

      “À medida que as escolas e as crianças iam desenvolvendo os contos, bem como as respectivas ilustrações, os professores foram dando conta através de fotografias de todo o processo e pudemos comprovar um entusiasmo muito grande por parte de todas as crianças e também dos professores que as acompanharam. Houve escolas, inclusive, que fizeram concursos internos entre as várias turmas e, depois internamente, escolheram o melhor conto”, explicou a responsável da Somos-ACLP.

       

       

       

       

       

       

      De Timor-Leste, a Escola Portuguesa de Díli – Centro de Ensino e Língua Portuguesa Ruy Cinatti marca presença, enquanto que o Brasil participa através do Instituto Pandavas Núcleo de Educação, Cultura e Ações Socioambientais, sediado em São Paulo. De Cabo Verde participa a Escola Básica Eugénio Tavares Achada Santo António, enquanto que da Guiné Bissau foi escolhida a Escola EBU Prof. António José de Sousa. Por sua vez, Moçambique faz-se representar neste concurso pela Escola Primária Matchik – Tchik, e São Tomé e Príncipe com a ARCAR – Associação para Reinserção das Crianças Abandonadas e em Situação de Risco.

       

      Peculiaridades de cada país

       

      Marta Pereira recordou ainda “pequenas coisas interessantes” em todo o processo criativo dos mais pequeninos, conforme o país ou região onde vivem. “É muito interessante perceber-se como o mar é descrito por cada uma das escolas de cada um dos países, fruto das suas vivências e das suas experiências. Por exemplo, no caso do Brasil, a escola de São Paulo não tem contacto directo com o mar e então eles escreveram um conto sobre o mar da montanha no qual, durante a manhã, no cume da montanha se conseguem ver as nuvens que dão a sensação de mar.”

      Durante o processo da leitura dos contos, o escritor angolano, Ondjaki, disse ser “bonito que várias partes do mundo, várias vozes, vários dedos e corações de crianças, se reúnam em torno do mar simplesmente para escrever.” Ondjaki foi o padrinho da iniciativa e reiterou a importância do concurso. “Escrever é também olhar e pensar. Escrever é também multiplicar cuidados e dedicar tempo. E o mar, todos os mares, todas as águas do nosso planeta, requerem, cada vez mais, cuidado, amor e dedicação. Ao olhar para e pelo mar, cuidamos do presente; mas estamos também a preparar o futuro.”

      Até ao final de Março, a Somos-ACLP irá publicar os contos em livro com as ilustrações. Os textos foram traduzidos e adaptados para a língua chinesa. A capa da obra será assinada pelo cartoonista português António Antunes – também padrinho da iniciativa -, com a selecção dos vários desenhos das escolas participantes.

      A iniciativa é para continuar, garantiu ao nosso jornal Marta Pereira, admitindo que ainda não está completamente decidido em que moldes, mas muito provavelmente será a cada dois anos, ou seja, teremos segunda edição do concurso em Setembro de 2023. “Este ano e o próximo vamos aproveitar para divulgar o livro. Não é fácil chegar a todos os países da CPLP, mas vamos fazer com que isso aconteça, entregando o livro nas escolas e, posteriormente, colocando também livros à venda. Recordo, uma vez mais, que todo o valor angariado com a venda dos livros será para ser doado posteriormente a uma das escolas mais carenciadas para compra de material escolar”, afirmou a presidente da Somos-ACLP.

       

       

      PONTO FINAL