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      InícioDesportoRocha, o ‘Pequeno Tigre’ macaense que conquistou os relvados portugueses

      Rocha, o ‘Pequeno Tigre’ macaense que conquistou os relvados portugueses

      Augusto Rocha é um dos atletas de origem macaense que mais alto brilharam no mundo do futebol. Começou no já extinto Negro Rubro, ainda nos campeonatos da ‘bolinha’, no início dos anos 1950. Mudou-se de seguida para o Sporting de Macau e foi daí que transitou para os ‘leões’ de Portugal. Seria, no entanto, mais para o norte no país onde deixaria a sua marca, mais concretamente ao serviço da Académica de Coimbra, cidade da qual nem o Real Madrid o conseguiu tirar.

       

      Nascido em São Lourenço em 1935, Augusto Rocha começou a dar os primeiros pontapés na bola no campeonato da ‘bolinha’ no início de 1950, representando o Negro Rubro, um histórico de Macau, entretanto já extinto. Foi de seguida para o Sporting de Macau e daí partiu para os ‘leões’ de Portugal, representando o Sporting Clube de Portugal após ter sido recomendado pelo então jornalista António Conceição.

      “Em Macau não fazíamos ideia do que era o Sporting. Vinha para Portugal, pronto”, diz Augusto Rocha em conversa com o PONTO FINAL. “O futebol era muito diferente, tinha outra entidade. Quando cheguei, achei que era pequeno demais [risos]. Era um miúdo, tinha 18 anos. Fiquei no Sporting dois anos, estava lá o Pacheco [Joaquim Pacheco], que era de Macau, fiquei em casa dele”, recorda.

      Esteve dois anos em Lisboa e depois viu-se envolvido numa transferência que viria a mudar a sua vida. “Era o Pérides [José Pérides] para lá [Sporting] e eu vim-me embora [para a Académica]”. Enquanto os ‘leões’ procuraram sempre a luta pelo título, os ‘estudantes’ eram uma equipa “do meio da tabela”, mas Augusto Rocha não viu a transferência como um passo atrás na carreira. “Naquela altura não pensávamos nessas coisas, queríamos era jogar à bola e mais nada”, sublinha.

       

       

       

       

       

       

       

       

       

      Em Coimbra encontrou mais estabilidade e esteve na equipa da Académica que alcançou a melhor classificação de sempre, com um segundo lugar, na temporada de 1966/67. Na altura, os ‘estudantes’ ficaram apenas atrás do Benfica, que se sagrou campeão com mais três pontos. A proeza valeu a oferta de uma estadia de um mês na Figueira da Foz, recordou a mulher Teresa.

      Relatos desses tempos e de quem o viu jogar recordam Rocha como um jogador de grande criatividade, génio e irreverência, tendo realizado cerca de 400 jogos ao serviço da Académica.

       

      Chegada à selecção

       

      As boas exibições de Augusto Rocha acabaram por chegar com naturalidade aos olhos do seleccionador de Portugal, tendo o jogador de origem macaense alcançado sete internacionalizações na equipa principal. “Eram coisas normais, tínhamos que seguir esse caminho [representar a selecção nacional]. Nunca pensei em chegar a internacional, vinha jogar para o Sporting e mais nada. É sempre um prazer ser internacional”, salienta.

       

       

       

       

       

       

       

       

      Com a memória afinada, Teresa conta uma história passada numa das convocatórias. “Numa das chamadas à selecção, ele [Rocha] estava para apanhar o comboio e recebe um telefonema do José Maria Antunes [seleccionador de Portugal] a dizer ‘Rocha, queria pedir-te um favor, estou com pressão para que seja convocado o Cavém, do Benfica, e não um da Académica. Quero que tu venhas, mas não posso levar mais jogadores. Não te importas de ficar em Coimbra e que vá o Cavém?’. Era a pressão do Benfica, e ele não foi. Acho que o prémio de jogo eram cinco contos”, recorda.

      Augusto Rocha estreou-se a 13 de Abril de 1958, em Madrid, contra a Espanha (derrota por 1-0), e despediu-se a 21 de Abril de 1963 com uma vitória por 1-0 frente ao Brasil de Pelé. A partida realizou-se no Estádio do Jamor, em Lisboa, e contou com mais de 70 mil pessoas nas bancadas. Na selecção portuguesa pontificava Eusébio da Silva Ferreira que Rocha recorda como “um bom colega”.

       

      O Pequeno Tigre que recusou o Real Madrid

       

      Se Eusébio era conhecido como o ‘Pantera Negra’, Augusto Rocha tinha também uma alcunha: o ‘Pequeno Tigre’. Sobre o nome, Rocha recorda apenas que surgiu por causa do pai. “Os outros que me deram [a alcunha] é que sabem. O meu pai era o tigre, e eu era o filho do tigre”, referiu. Teresa, porém, acrescenta que a alcunha surgiu também porque Augusto Rocha “fazia muitas asneiras” quando era pequeno.

      Sobre os momentos que lhe trouxeram mais orgulho, o macaense aponta para as vitórias conquistadas dentro do rectângulo de jogo, afirmando, entre sorrisos, que “era muito difícil ganhar à Académica”.

      Depois de ter chegado ao topo da carreira na Académica de Coimbra, Augusto Rocha teve a oportunidade de regressar ao Sporting e convites para se mudar para Espanha, mais concretamente para representar o Real Madrid. Porém, o então médio dos ‘estudantes’ não quis sair, afirmando que “não trocava Coimbra por nada”.

      Foi também em Coimbra que se estabeleceu, e onde tem um restaurante de comida chinesa, o Lung Wah, situado na zona de Monte Formoso. É também um dos restaurantes de comida chinesa mais antigos de Portugal.

      Depois de ter pendurado as botas em 1971, Augusto Rocha regressou a Macau várias vezes, chegando a trabalhar para a Universidade de Macau. Tem duas filhas, Paula e Luísa, e um filho, Miguel, que acabou por seguir as pisadas do pai e tornou-se também um símbolo da Académica de Coimbra, clube que representou durante 18 temporadas e mais de 400 partidas realizadas.

       

      PONTO FINAL