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      Mais de cinco toneladas de carne de aves importadas de Portugal em Janeiro

      As autoridades de Hong Kong bloquearam, nesta terça-feira, a importação de carne de aves de capoeira, inclusivamente ovos, de Portugal, na sequência da detecção de um surto do vírus da gripe aviária altamente patogénica H5N1. Ao PONTO FINAL, o Instituto para os Assuntos Municipais afirmou que, apenas no mês passado, mais de cinco toneladas de carne de aves de capoeira foram importadas de Portugal para Macau. O organismo garantiu a obrigatoriedade de realização de inspecção sanitária e apresentação de certificado sanitário no âmbito da importação de produtos alimentícios.

       

      Na semana passada, a Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) portuguesa confirmou que um foco de infecção por vírus da Gripe Aviária de Alta Patogenicidade (GAAP), do subtipo H5N1, foi identificado num estabelecimento avícola localizado na união das freguesias de A-dos-Cunhados, no município de Torres Vedras, no distrito de Lisboa, enquanto 4.831 perus de engorda e 7.403 frangos do campo foram afectados. No início desta semana, o Centro para a Segurança Alimentar de Hong Kong anunciou a suspensão imediata de importação de carne de frango e derivados, incluindo ovos, de Portugal, para “assegurar a saúde pública da cidade”.

      No que diz respeito a Macau, numa resposta dada pelo Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) ao PONTO FINAL, o organismo disse acreditar que o mecanismo vigente no território em matéria de importação de alimentos já pode efectivamente afastar o risco de saúde pública. As autoridades frisaram que, nos termos da legislação vigente na RAEM, todos os produtos alimentícios frescos e géneros vivos são sujeitos a vigilância sanitária obrigatória. No momento de se proceder à inspecção sanitária dos produtos de alimentos importados é exigida uma declaração prévia e apresentação do certificado sanitário válido emitido pela autoridade do local de origem, servindo para provar que os produtos satisfizeram os critérios de segurança alimentar na produção e cadeia de abastecimento alimentar, vindo de zona livre de doença ou parasita e considerando-se o consumo humano adequado. Só após a conclusão de inspecção sanitária e quarentena de alimentos é que os produtos podem ser importados para o território, sublinharam as autoridades.

      Segundo dados do IAM fornecidos ao PONTO FINAL, desde o início do ano registou-se a importação de 5,72 toneladas de carne e produtos de aves de capoeira de Portugal para Macau.

      O organismo salientou que todos os produtos alimentares que são importados fora da jurisdição de Macau estão sujeitos ao controlo sanitário obrigatório imposto e regulado pelo IAM. As autoridades revelaram que o último lote de produtos alimentares importados já concluiu a inspecção sanitária, possuindo certificado sanitário válido emitido por Portugal a 12 de Setembro de 2021. No que toca à importação de ovo de aves de capoeira, o IAM indicou que durante este período não houve nenhuma importação de Portugal para Macau.

      O organismo liderado por José Tavares realçou que, em caso de epidemia ou surto detectado numa determinada zona, não será possível à autoridade sanitária local emitir um certificado sanitário. Paralelamente, apesar de ainda não ter limitado a importação, o IAM vai continuar a acompanhar os pedidos relativamente à importação de produtos de origem animal e tomar as medidas preventivas adequadas em conformidade com as novidades divulgadas pela Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) caso seja necessário. As autoridades disseram que já tinham entrado em contacto com os importadores locais para conjuntamente estarem a par da situação.

      A gripe aviária foi detectada em Portugal em Dezembro do ano passado numa exploração caseira de galinhas, patos, gansos e perus, em Palmela. Posteramente, também foram identificados noutros concelhos em Setúbal e Leiria, como Óbidos, Vila Nova da Barquinha, Santiago do Cacém, Alpiarça, Peniche e Constância. Até hoje, uma totalidade de 37.937 aves foram afectadas, de acordo com as estatísticas disponibilizada pela DGAV.

      Segundo os dados da Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA), mais de 20 países no âmbito geográfico da Europa também foram identificados como focos de infecção por vírus da gripe aviária. Por outro lado, no início de Janeiro de 2022, o Reino Unido relatou o primeiro caso humano de infecção do H5N1.

       

      Casos raros, mas espalhados pelo mundo

       

      Embora os casos em humanos da gripe aviária sejam raros, foram relatadas ocorrências em vários países e zonas em todo o mundo, incluindo Hong Kong e Macau. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), houve cerca de 165 casos humanos de H5N1 confirmados registados entre 2003 e Fevereiro de 2006. O contacto directo com aves de capoeira infectadas, ou superfícies e objectos contaminados pelas suas fezes, é presentemente considerada a principal via de infecções humanas. Os vírus da gripe aviária podem permanecer viáveis durante longos períodos nos tecidos, fezes e também na água. Estudos demonstraram que o vírus permanece viável em material orgânico durante pelo menos 35 dias a 4°C e durante 6 dias a 37°C.

      “As pessoas que ficam infectadas com o vírus H5N1 podem ficar gravemente doentes e podem morrer. Os sintomas iniciais da gripe aviária são semelhantes aos de outros vírus da gripe, incluindo febre, dores de cabeça, dores musculares, corrimento nasal, tosse e dor de garganta. No entanto, é mais provável que resulte em febre alta, infecção torácica, insuficiência respiratória, falência de múltiplos órgãos e morte”, pode ler-se na página do canal de informação do Centro para a Segurança Alimentar de Hong Kong.

      Estudos dão a entender que quase todas as partes de uma ave infectada estão contaminadas com o vírus, que também pode ser encontrado no interior e na superfície dos ovos. O vírus da gripe aviária, no entanto, pode sobreviver e ser encontrado em carne de aves de capoeira crua contaminada e pode passar através de produtos alimentares contaminados, como carne congelada. A congelação e refrigeração não é eficaz para reduzir a concentração ou virulência do vírus na carne contaminada.

      A OMS, assim como outras autoridades sanitárias como a EFSA, reitera que, embora não haja evidência epidemiológica de que a doença possa ser transmitida aos seres humanos através do consumo de carne de aves de capoeira e ovos contaminados, alimentos devem ser bem cozinhados para inactivar o vírus e eliminar o risco potencial.

       

      PONTO FINAL