Edição do dia

Segunda-feira, 26 de Fevereiro, 2024
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
nuvens dispersas
13.9 ° C
15.9 °
13.9 °
77 %
6.2kmh
40 %
Dom
15 °
Seg
19 °
Ter
19 °
Qua
20 °
Qui
22 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More
      Início Grande China China privou 102 jornalistas de liberdade em 2021

      China privou 102 jornalistas de liberdade em 2021

      De um total mundial de 357 jornalistas privados de liberdade no mundo, a República Popular da China é o país que tem mais profissionais da comunicação social encarcerados, a grande maioria proveniente da província de Xinjiang. O relatório da Federação Internacional de Jornalistas revela ainda que, em 2021, 47 jornalistas perderam a vida em trabalho e outras duas mortes foram consideradas pela entidade como acidentais. Desde 1990, já perderam a vida 2.725 profissionais da comunicação social.

       

      A República Popular da China privou de liberdade, em 2021, um total de 102 profissionais de comunicação social, a sua grande maioria proveniente da província de Xinjiang, mas também há casos de prisão na região vizinha de Hong Kong, revela o mais recente relatório anual da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ), tornado público esta semana e que já vai na sua 31.ª edição.

      Dos jornalistas detidos na China por fazerem o seu trabalho, existem nove mulheres e sete profissionais do extinto Apple Daily, de Hong Kong. A grande maioria encontra-se privado de liberdade por documentar situações que o regime chinês considera serem questões que atentam à segurança nacional do país.

      Dos 357 jornalistas presos durante o ano passado, a grande maioria (162) foram-no na Ásia, com a China a ser o país do mundo com mais profissionais da comunicação social presos. Os países europeus retiraram a liberdade a 79 jornalistas com a Bielorrússia e a Turquia a liderarem nesse particular. No Médio Oriente 68 jornalistas acabaram privados da sua liberdade em 2021. Egipto, Eritreia ou Irão são alguns dos países que mais maltratam os seus jornalistas. Em África, 46 jornalistas foram detidos no ano passado, enquanto que nas Américas apenas há relato de dois jornalistas aprisionados. Há mais 122 jornalistas presos actualmente do que em Março de 2021.

      O relatório da FIJ destaca, em primeiro lugar, a morte dos jornalistas e funcionários da comunicação social em serviço. O documento detalha as circunstâncias dos 47 homicídios ocorridos durante ataques direccionados, bombardeios ou incidentes de fogo cruzado, bem como duas mortes acidentais.

      Este é o quinto menor número de mortos desde que a FIJ começou a publicar relatórios anuais sobre homicídios de jornalistas em 1990 e eleva o total para 2.725 jornalistas e trabalhadores da comunicação social que perderam a vida devido à violência no mundo desde então. 2021 registrou 18 mortes a menos do que no ano anterior (65).

      Apesar desta diminuição, 2021 foi também um ano em que as ameaças contra os jornalistas e a liberdade de imprensa registaram um aumento significativo. Esse ataque à liberdade de imprensa, considera ainda o relatório da entidade, teve um efeito assustador na comunicação social. “É muito comum jornalistas serem presos e acusados ​​de irregularidades por simplesmente cobrir protestos ou tentar reportar a crise provocada pela pandemia de Covid-19, ambos assuntos de grande interesse público”, escreve a FIJ.

       

      Uma ameaça chamada Pegasus

       

      Em 2021, também foi o ano em que o mundo ficou a saber da existência de uma ameaça à liberdade de imprensa na forma do Pegasus, o software de espionagem para vigilância através de telemóveis que foi usado para atingir jornalistas, entre outros. Com a sua capacidade de ouvir conversas telefónicas, aceder a contactos e a e-mails sem levantar uma única suspeita do proprietário do telefone, o Pegasus destruiu a segurança da maioria dos dispositivos portáteis. A confidencialidade das fontes e a privacidade das comunicações pessoais dos jornalistas não podem mais ser tidas como garantidas, considera a FIJ.

      Também no ano passado, pelo menos sete jornalistas do sexo feminino foram mortas no curso do seu trabalho. O Afeganistão, devido à grande instabilidade política e ao crescendo das forças talibã, acaba por ser” o país que paga o preço mais alto”. “A FIJ está particularmente preocupada com a situação das mulheres jornalistas afegãs e acredita que os esforços devem ser redobrados para proteger as suas vidas e das suas famílias e instou a acção internacional a abordar a situação crítica das mulheres jornalistas afegãs, que são particularmente visadas pelo Talibã”, afirma a entidade com sede em Bruxelas, na Bélgica.

      A FIJ também lembra a existência e condena o assédio online de mulheres jornalistas em todo o mundo e pede às redacções, plataformas online e governos que tomem medidas para implementar soluções sustentáveis ​​no sentido de erradicar esse flagelo.

      O Fundo Internacional de Segurança da FIJ continuou a ajudar jornalistas e equipas de comunicação social, bem como os seus familiares nos quatro cantos do mundo por forma a proporcionar-lhes uma vida mais agradável. Em 2021, o fundo canalizou mais de 90 mil euros em ajudas que passam por recolocações, tratamentos médicos ou assistências jurídicas, tendo prestado apoio em países como Nigéria, Haiti, Afeganistão, Myanmar, Filipinas, Bielorrússia, França, Turquia, Iémen ou Palestina.

       

       

      PONTO FINAL