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      Criminalidade informática registou “crescimento assinalável” este ano, diz PJ

      Tendo instaurado mais de 1.600 inquéritos, a Polícia Judiciária registou uma subida significativa de 34,4% no número de crimes informáticos no ano passado, um aumento que se deve a uma maior utilização da internet e à falta de sensibilidade do público com questões de cibersegurança. O volume de crimes ligados ao jogo subiu 23,2% no ano transacto, com 1.372 processos instaurados relacionados com agiotagem, sequestro e outros. No relatório anual divulgado ontem, as autoridades policiais alertam ainda para uma maior intervenção de forças externas neste ano.

       

      A situação da segurança do ano passado foi considerada como globalmente “estável e sob controlo”, mas o número de crimes informáticos registou um “crescimento assinalável”, e os crimes relacionados com o jogo também subiram, diz o relatório anual do trabalho da Polícia Judiciária (PJ), divulgado ontem.

      De acordo com os dados consultados no relatório, foram instaurados 1.676 inquéritos de crimes informáticos em 2021, um número que representa uma subida de 34,4% em relação ao do ano anterior, correspondendo ainda a um acréscimo de cerca de 2,5 vezes face a 2019.

      O facto de a frequência de crimes informáticos ter “crescido vertiginosamente” deverá estar ligado ao aumento substancial do uso da internet desde o início da pandemia, apontou a PJ, “e o ‘modus operandi’ dos crimes informáticos e cibernéticos tornou-se cada vez mais complexo e baseado na tecnologia”. Para além disso, “a sensibilidade da população em relação à cibersegurança, dos operadores dos websites e outros utentes da internet, é limitada, havendo ainda uma insuficiência de medidas preventivas efectivas”, analisou.

      Quanto à criminalidade cibernética, foram registados 800 casos em 2021, representando um aumento considerável de 51,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. O crescimento deve-se a um maior número de burlas informáticas de furto de dados de cartão de crédito para compras online. Esta categoria de crimes assinalou 663 casos neste ano (+61,3% face a 2020), envolvendo um prejuízo total superior a sete milhões de patacas.

      A PJ salientou que os criminosos que se encontram no exterior, perante as medidas rigorosas de entrada e saída, praticam cada vez mais crimes sem necessidade de contacto físico, sobretudo com burlas online e telefónicas.  No período de análise, o organismo instaurou 1.206 processos de burla, o que corresponde a um aumento de 31% relativamente ao ano anterior.

      Sobre burlas telefónicas registaram-se 89 casos, traduzindo uma subida de 187,1%. Neste tipo de crime continuam a prevalecer as burlas de “falso funcionário dos órgãos governamentais”, “adivinha quem sou eu” e “plataforma de compras online falsificada ou falsos funcionários bancários”.

      A PJ revelou que cerca de 60% das vítimas de burlas telefónicas são jovens com idade inferior a 35 anos, e um quarto das vítimas com prejuízos são estudantes das instituições do ensino secundário ou superior. Já o valor dos prejuízos declarados pelos lesados ultrapassou 10 milhões de patacas, e o montante desviado de maior registo foi de 1,67 milhões de patacas.

      Por outro lado, entre inquéritos, denúncias, investigações sumárias e diligências solicitadas, no ano transacto, a PJ instaurou 9.583 processos criminais, enquanto que em 2020 tinha registado 9.291, equivalendo a uma subida ligeira de 3,1%.

       

      Aumento de visitantes levou a mais crimes de jogo

       

      Com 1.372 processos instaurados com crimes relacionados com o jogo, a PJ registou um aumento de 23,2% no ano passado no volume deste tipo de casos, justificado pelo crescimento do número de visitantes, o que levou a PJ a aumentar as suas acções neste domínio. Entre estas ocorrências, registaram-se 71 casos de agiotagem para jogo, um caso a menos em comparação com o ano anterior; 27 casos de sequestro associados à agiotagem para jogo, correspondendo a uma quebra de cinco casos face a 2020, e também uma descida significativa comparando com 344 casos em 2019.

      “Registou-se um aumento global em termos do número de casos relacionados com o jogo, enquanto o número desses dois tipos de crimes graves tem vindo a diminuir. Isso demonstra que o planeamento específico do combate aos crimes de agiotagem para jogo vigentes produziu um certo efeito”, concluiu a PJ no relatório.

      As autoridades policiais, no entanto, notaram que a troca ilegal de dinheiro continua a trazer impactos negativos para a segurança nos casinos e áreas circundantes, sendo que os três casos de homicídio detectados em 2021 estavam relacionados com burlas em trocas de dinheiro.

      O número de burlas com esquema de câmbio de moedas atingiu 196 casos, o que corresponde a uma subida de 17,4% face ao mesmo período do ano anterior, havendo ainda seis casos de roubo.

      Em Março do ano passado, a PJ, em cooperação com a polícia do interior da China, desmantelou uma rede criminosa de burla com uso de notas falsas. A ocorrência contínua deste tipo de actividades ilegais levou as autoridades a reforçar a cooperação com Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos e o sector do jogo e da hotelaria.

       

      Criminalidade juvenil duplicou

       

      Em relação à delinquência juvenil, entre os casos tratados pela PJ no ano passado constatou-se que houve 67 jovens que cometeram crimes e que não atingiam a idade de imputabilidade penal. O número representa um aumento de mais do dobro em comparação com o do ano anterior, com 26 indivíduos. Os referidos estavam principalmente envolvidos em casos de fogo posto, furto, dano e extorsão. Entre estes, cinco não atingem a idade de imputabilidade penal foram presentes ao Ministério Público (MP), incluindo quatro masculinos e um feminino, envolvendo três casos: um roubo e dois de abuso sexual de crianças.

      Do período homólogo houve, nos processos instaurados pela PJ, 122 vítimas que eram menores, um número que traduziu uma diminuição de 12 pessoas face a 2020, envolvendo casos de agressão, abuso sexual de crianças, burla e extorsão. Neste caso, as autoridades salientaram que irão continuar a aprofundar a cooperação com o sector da educação e realizar actividades educativas de prevenção criminal nas escolas, tendo criado um mecanismo de comunicação com os estabelecimentos educacionais.

      Em 2021, o Núcleo de Acompanhamento de Menores (NAM) da PJ lidou com um total de 126 casos, em que 61 foram tratados com processo simples, 44 com processo de acompanhamento e 21 com abertura de processo.

       

      Forças externas serão “intensas”

       

      A PJ concluiu também no relatório que, no ano passado, para além do controlo da pandemia, persistiu na concretização das políticas de “Perspectiva geral da segurança nacional”, tendo colaborado na consolidação do princípio fundamental “Macau governado por patriotas” e combatendo com “veemência a infiltração” a “interferência de forças externas”.

      Para o presente ano, a PJ sublinhou que a situação da prevenção pandémica em Macau é “extremamente pesada”, com a transmissão de novas variantes da covid-19, o que impõe riscos para a segurança e estabilidade da comunidade. Por outro lado, prevê que “a interferência e ataques de forças externas serão inevitavelmente mais intensos” devido à realização de importantes conferências políticas no país e a implementação de políticas económicas na RAEM este ano.

      Assim, a PJ afirmou que irá acelerar o desenvolvimento da cibersegurança e incrementar a cooperação policial regional para o “bem-estar de toda a população”.

       

       

      PONTO FINAL