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       “[Macau] deverá garantir a total liberdade aos macaenses e a todos os cidadãos estrangeiros que vivem nessa região”

      O CDS-PP havia anunciado, numa primeira fase, que o candidato a deputado à Assembleia da República Portuguesa pelo partido, sendo o cabeça de lista pelo Círculo Eleitoral de Fora da Europa, seria Rahim Ahmad, antigo dirigente do Sporting Clube de Portugal. Contudo, devido a questões de burocracia consular, a pasta passou para o seu irmão Hussein Ahmad. Ao nosso jornal, explicou o que se passou. Ao mesmo tempo, durante a conversa com o PONTO FINAL, o candidato católico refere que “o Centro-Direita em Portugal é quem mais defende e promove os direitos sociais e económicos das comunidades portuguesas”. Sobre Macau, o candidato considera, entre outras coisas, que “a influência global que Portugal ainda desempenha neste espaço é algo que prevalecerá e deverá ser fundamentado em permanência nos tempos vindouros”. O PONTO FINAL continuará a entrevistar até ao dia da eleição todos os candidatos a deputados pelo Círculo Eleitoral de Fora da Europa dos partidos com assento parlamentar.

       

      Sócio fundador e director-executivo do Interway Group, Hussein Ahmad é também presidente da Codisa IT Solutions e da Codisa At Work, empresas que operam no segmento empresarial em Angola e Moçambique. Para o candidato pelo CDS-PP, “Macau apresenta-se como um território muito importante para Portugal essencialmente pelas relações históricas, culturais e linguísticas” e, de igual forma, considera que “existe uma preocupação permanente sobre a manutenção de liberdade de imprensa, numa região que, apesar de estar sobre a jurisdição oficial chinesa, detém uma autonomia própria”. Com uma pós-graduação em Administração de Empresas pela Universidade Católica Portuguesa e uma licenciatura em Engenharia Informática pela Universidade de Londres e Universidade Nova de Lisboa, Ahmad, entre 1999 e 2001 desempenhou funções na Gestão de CRM e E-business na Novabase em Portugal, e de 2001 a 2003 como Country Manager de um Grupo Internacional de capitais canadiano e moçambicano na área das Comunicações (Pan Intra).

       

      A primeira pergunta não poderia deixar de ser esta. O CDS-PP anunciou que o seu irmão Rahim Ahmad seria cabeça de lista do Círculo Eleitoral de Fora da Europa, mas entretanto, por questões técnicas de registo eleitoral no consulado português em Luanda e que não se conseguiu resolver em período útil, o cabeça de lista passou a ser Hussein Ahamad. Pode explicar-nos e aos nossos leitores o que é que aconteceu concretamente?

      Basicamente, as questões técnicas e processuais que acabaram por ficar resolvidos junto do consulado português relativamente ao registo eleitoral do meu irmão que é residente em Luanda tal como eu nos últimos 18 anos, aconteceram já fora de tempo útil para a certificação das listas junto das entidades competentes. Ambos estávamos na equipa do Círculo Eleitoral de Fora da Europa e que, de uma forma natural, passei a cabeça de lista.

       

      Quais as expectativas do cabeça de lista do Círculo Eleitoral de Fora da Europa para as próximas eleições legislativas portuguesas a ter lugar no dia 30 de Janeiro?

      As minhas expectativas são as de consolidar os eleitores existentes e aumentar o número de novos eleitores, como forma de demonstrar que o partido se mantém como uma das principais referências políticas nas comunidades luso-descendente e portuguesa no estrangeiro.

       

      PSD e PS têm dividido os deputados no Círculo Eleitoral de Fora da Europa. O que pode fazer o CDS-PP e, em particular, o candidato Hussein Ahmad para contrariar essa tendência?

      Acima de tudo sensibilizar para aquilo que são as principais linhas diferenciadoras do CDS-PP face a este Bloco Central. O centro-direita em Portugal é quem mais defende e promove os direitos sociais e económicos das comunidades portuguesas. Estou em crer que apresentando as principais linhas programáticas do nosso partido para estes eleitores, estarei com certeza a construir as pontes necessárias para contrariar a tendência existente que pouco ou nada tem feito para quem já fez tantos sacrifícios e que continua a fazer.

       

      O que é um bom resultado para o CDS-PP?

      Fazer sempre melhor do que as últimas eleições.

       

      O que é que de bom e de mau tem sido feito pelo PS e pelo PSD no Círculo Eleitoral de Fora da Europa, em particular, e no Círculo da Emigração em geral?

      Tenho sinceramente dificuldade em enaltecer o que de bom foi feito e tenho sérias dúvidas que os membros das comunidades portuguesas também o consigam fazer. Somos a favor de uma proximidade das nossas instituições, nomeadamente as nossas políticas de relações externas que consigam obter o maior resultado na promoção do apoio social e económico das sociedades, aproximando mais Portugal dos portugueses, e desenvolver políticas estruturais que permitam o desenvolvimento das próprias comunidades no exterior.

       

      E o que ficou por fazer?

      Muito ficou por fazer. Não se entende como até hoje continuem a existir enormes lacunas no processo de acompanhamento do governo português às comunidades. Este é um facto que merece uma atenção cuidada e um muito maior esforço de reconhecimento de quem muito se dedica a construir uma vida mais condigna que infelizmente Portugal não foi capaz de corresponder.

       

      Como estão as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, principalmente numa altura em que existem restrições em todo o mundo e incertezas quanto ao futuro?

      É neste momento que os representantes eleitos pelo Círculo Fora da Europa devem estar mais próximos das comunidades no desenvolvimento de soluções capazes de minimizar os impactos e as incertezas que este período apresenta.

       

      Pensa que a sua experiência enquanto expatriado pode ajudar as comunidades portuguesas ao redor do mundo?

      Estou convicto que sim, até porque percebo e entendo exactamente quais as necessidades e os problemas a todos os níveis que as comunidades portuguesas vivem no estrangeiro.

       

      Macau, muito por culpa das mais recentes decisões políticas chinesas, mas também devido às restrições pandémicas que obrigam a quarentenas de 21 dias após o regresso ao território, tem colocado em debandada a comunidade portuguesa. Isso preocupa-o?

      As restrições pandémicas são voláteis e dinâmicas. Obviamente que me preocupa a situação pandémica que vivemos e que impacta directamente nas vidas das pessoas. Acredito que tudo vai melhorar em 2022, até porque os esforços mundiais no sentido da vacinação, criação de medicamentos e a crescente imunidade ao vírus permitirá que muitas das restrições existentes sejam reduzidas e adaptadas à nova realidade. O CDS-PP está muito atento e a acompanhar de perto esta e outras situações similares que impactam na vida das comunidades portuguesas.

       

      Portugal está a perder alguma influência ao nível social, cultural e comunitário no território? Macau continua a ser importante para Portugal e para os portugueses?

      Macau apresenta-se como um território muito importante para Portugal essencialmente pelas relações históricas, culturais e linguísticas. A nível económico é um mercado de extrema importância geográfica – Sudoeste Asiático – o que faz com que se mantenha uma relação privilegiada para todos os empresários e cidadãos da comunidade portuguesa neste mesmo território. A influência global que Portugal ainda desempenha neste espaço é algo que prevalecerá e deverá ser fundamentado em permanência nos tempos vindouros. Adicionalmente, Macau é um país observador da CPLP, com intervenção activa, e as relações bilaterais entre os países devem ser aprofundadas da melhor forma possível.

       

      O parlamento português considerou que a China tem cumprido “com boa-fé” os seus compromissos no âmbito da transição de Macau, uma decisão da comissão de Negócios Estrangeiros, após denúncias de limitações à liberdade de imprensa, nomeadamente acerca do caso relacionado com a TDM. O que o CDS-PP tem a dizer sobre a decisão?

      Existe uma preocupação permanente sobre a manutenção de liberdade de imprensa, numa região que, apesar de estar sobre a jurisdição oficial chinesa, detém uma autonomia própria (falamos da Região Administrativa Especial de Macau), que se rege por um governo próprio e que por tal, deverá garantir a total liberdade aos macaenses e a todos os cidadãos estrangeiros que vivem nessa região. No entanto, a haver certezas de que há movimentos menos correctos sobre este tipo de situação que se enuncia, isto representa alguma preocupação que deverá ser endereçada a seu tempo e nos seus fóruns próprios para resolução.

       

      PONTO FINAL