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      Oito em 10 funcionárias de casinos em Macau já foram vítimas de assédio sexual

      A conclusão é de um estudo académico em Hong Kong para o qual foram inquiridas 348 trabalhadoras de casinos. Os resultados mostram ainda que 87% das inquiridas já foi alvo de assédio sexual por parte de clientes, enquanto 79% revelou ter sido assediada por colegas de trabalho.

       

      Um estudo académico, levado a cado pela Universidade Politécnica de Hong Kong, com cerca de 350 funcionárias de casinos de Macau, concluiu que 87% das inquiridas já foi alvo de assédio sexual por parte de clientes, enquanto 79% referiu já ter sido molestada por colegas de trabalho, avançou a TDM – Rádio Macau.

      Henry Tsai, professor assistente na Universidade Politécnica de Hong Kong, e um dos autores de estudo, em declarações à rádio local, refere que os resultados demonstram a existência de uma “tolerância organizacional” das empresas em relação ao assédio sexual e que devem levar Governo e operadoras de jogo a actuar.

      Em declarações à TDM – Rádio Macau, o investigador não deixa de ficar surpreendido com os números obtidos. “Fiquei um pouco surpreendido com esta elevada taxa de incidência, mas penso que pode ser atribuída também a uma elevada tolerância das próprias organizações pelo facto de o assédio sexual não ser um delito punível em Macau antes de 2018. Ou seja, a crítica ao assédio sexual foi minimizada pela ignorância das pessoas sobre a gravidade do assédio sexual no contexto do trabalho”, afirmou.

      O assédio de género, que acaba por considerar comportamentos verbais e físicos, muitas das vezes envolvidos em situações consideradas humilhantes, acaba por ser a forma mais comum de assédio sexual revelada pelo estudo. Cerca de 85% das mulheres empregadas em casinos no território assumiram já ter sido alvo de assédio de género por parte de clientes e 73% por parte de colegas de trabalho.

      Outras das formas de assédio sexual comuns nas respostas das inquiridas são “a atenção sexual indesejada e a coerção sexual, definida como a exigência ou um convite para cooperação sexual quer através da ameaça, quer através da recompensa”. A este respeito, 42% das mulheres inquiridas diz já ter sido alvo de acções de coerção sexual por parte de colegas de trabalho nos casinos. “Diria que as empresas de casinos podem ter agido de forma passiva quando lidaram com incidentes de assédio sexual porque, em primeiro lugar, a lei não era suficientemente rigorosa para impor sanções contra aqueles que cometeram comportamentos indesejados e, em por outro lado, poderia ser prejudicial ofender ou expor os seus clientes em questões tão controversas sem que houvesse uma base legal mais sólida”, sugere Henry Tsai, em conversa com a TDM – Rádio Macau.

      O académico refere ainda que estes números justificam que o Governo e as operadoras devem fazer algo para contrariar a situação. “Creio que poderia ser acrescentado um tópico sobre assédio sexual no local de trabalho nas orientações internas das empresas para os funcionários e provavelmente instruções contínuas anuais. Já o Governo deveria ou poderia comparar as melhores práticas no combate ao assédio sexual com outras jurisdições. Acho que há outras formas que tanto as empresas como o governo podem implementar para aliviar a taxa de incidentes de assedio sexual nos locais de trabalho e os problemas daí associados”, referiu.

      O estudo concluiu ainda que, no geral, as mulheres ficam mais fragilizadas quando o assédio sexual é praticado por colegas de trabalho, fazendo com que tenham vontade de mudar de emprego.

      A amostragem do inquérito foi de 348 trabalhadoras de casinos, com idades entre os 20 e os 50 anos. Sendo que 72% eram residentes locais e 28% não-residentes. A grande maioria trabalha como croupiers. Lusa

      Ponto Finalhttps://pontofinal-macau.com
      Redacção do Ponto Final Macau