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      InícioEconomiaTransacções imobiliárias atingem nível mais baixo dos últimos seis anos

      Transacções imobiliárias atingem nível mais baixo dos últimos seis anos

      A Direcção dos Serviços de Finanças publicou estatísticas actualizadas no que diz respeito às fracções autónomas destinadas à habitação que foram declaradas para liquidação do imposto do selo por transmissões de bens em Dezembro de 2021. O organismo revelou que o número total de transacções imobiliárias registou o número mais baixo dos últimos seis anos. Ao PONTO FINAL, o director-geral da Ambiente Properties, Alex Cheng, confessou que a crise de saúde pública trouxe um grande impacto negativo ao mercado de bens imóveis, frisando que o futuro do sector vai depender da situação da pandemia da Covid-19 e políticas habitacionais.

       

      De acordo com os dados estatísticos divulgados pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF) em relação às fracções autónomas destinadas à habitação que foram declaradas para liquidação do imposto do selo por transacções de bens em Dezembro de 2021, o número de trocas foi de 413, enquanto que o preço médio da habitação por metro quadrado de área útil foi de 102.828 de patacas. Em 2021, o número total de transacções imobiliárias foi de 5.970, representando o número mais baixo desde 2015, terminando com uma queda anual de 6,6%. Quanto ao preço médio de habitação por metro quadrado de área útil ao longo do ano, o valor foi de 101.310 de patacas, tendo caído menos de 1% em relação ao ano anterior, sendo o preço mais baixo desde 2017.

      Os agentes imobiliários locais acreditam que não irá existir uma retoma rápida. Sob a ameaça da pandemia global da Covid-19, o sector previu que as transacções de imóveis destinados à habitação no primeiro trimestre deste ano não vão ser uma surpresa, esperando que a recuperação possa acontecer no segundo semestre do ano.

      Segundo a DSF, no ano de 2021 registaram-se 4.308, 1.241 e 421 transacções de bens imóveis destinados à habitação, respectivamente, na Península de Macau, Taipa e Coloane. Excluindo Coloane, que registou um aumento de 87 transacções, as compras e vendas do mercado imobiliário na Península de Macau e na Taipa, respectivamente, diminuíram 366 e 145 em termos de transacções. O preço médio por metro quadrado de área útil na Península de Macau foi de 97.543 patacas, enquanto que na Taipa foi de 104.930 patacas, e 120.077 patacas em Coloane. Com a excepção de Coloane, em que o preço médio aumentou 5,7% numa base anual, o preço médio na Península de Macau e na Taipa decresceu 2% e 0,6%, respectivamente, em comparação com o ano anterior.

      Conforme a análise estatística sobre a titularidade de imóveis destinados à habitação dos compradores, 5.881 das transacções foram realizadas por pessoas singulares residentes de Macau. Em 4.873 transacções os compradores não possuíam qualquer imóvel destinado à habitação na data de aquisição, equivalente a uma percentagem de 82,84%. Por sua vez, em 838 transacções os compradores locais já possuíam um imóvel destinado à habitação na data de aquisição, correspondente a 14,25% do total. Já os que possuíam mais do que um imóvel estiveram envolvidos em 171 transacções, correspondendo a cerca de 2,91% da percentagem geral.

      Alex Cheng, director-geral da Ambiente Properties, considera que os resultados revelados pelas autoridades “não são irrazoáveis”. “A pandemia resultou numa diminuição das receitas brutas no sector de jogo, que influenciam a economia de Macau. O comprador não está motivado a comprar uma propriedade durante a recessão do mercado”, indicou o responsável da agência imobiliária local.

      Os promotores imobiliários locais acreditam que os preços dos imóveis vão continuar neste registo a curto prazo, embora em geral não tenham sofrido uma grande mudança em comparação com o ano passado. Para além disso, o sector imobiliário considera que o mercado imobiliário de luxo e o das fracções habitacionais de médias e pequenas áreas não seguiram uma tendência idêntica. Os bens imóveis para fins habitacionais de luxo com um valor acima dos 10 milhões de patacas não têm registado uma grande procura no mercado, tendo sofrido uma queda mais visível, geralmente de 5% a 10%. As fracções habitacionais de médias e pequenas áreas, com valor inferior a 8 milhões de patacas, graça ao apoio de uma política destinada à aquisição do primeiro bem imóvel para jovens qualificados, conseguiram atrair compradores, e os preços destes imóveis não foram afectados. Como as transacções das fracções habitacionais de médias e pequenas áreas representaram mais de 70% das trocas de mercado, os preços globais dos imóveis não parecem ter uma tendência de ajuste.

      Além disso, o mercado de arrendamento residencial também mudou significativamente durante os tempos pandémicos devido às restrições fronteiriças porque os estrangeiros não se podem descolocar a Macau para trabalhar. A procura de arrendamento residencial reduziu significativamente como resultado e as rendas diminuíram de 30% a 50% em comparação com o período de pico, apontou Alex Cheng.

      Recorde-se que no terceiro trimestre do ano passado, Macau sentiu uma crise de saúde pública devido à pandemia, e no quarto trimestre houve também um incidente envolvendo uma empresa de ‘junkets’, o que reduziu drasticamente o ritmo de recuperação económica, apontou o responsável. Os compradores estavam à espera que o mercado estabilizasse e os proprietários também tinham alargado a margem para negociar. Os recentes surtos epidémicos emergentes nas regiões vizinhas também afectaram indirectamente Macau, e Alex Cheng não se mostra optimista para melhorias durante o Ano Novo Chinês.

      Além disso, Alex Cheng também se mostrou preocupado com a sobrevivência dos promotores e das agências imobiliárias. “Registaram-se menos de 6 mil de transacções imobiliárias, enquanto existem aproximadamente 4.300 agentes imobiliários activos no mercado. Imagine se o baixo volume de transacções permanece até 2023, como é que podemos sobreviver?”, questionou.

      Apesar do levantamento gradual das restrições na passagem das fronteiras, o representante do sector considera que o mercado real só pode ser avaliado no final do segundo trimestre, e o efeito positivo só será visível no segundo semestre do ano. O sector espera que a situação pandémica possa ser estabilizada no território e nas regiões vizinhas para que a economia e o mercado imobiliário possam recuperar mais rapidamente no segundo semestre do ano. Para Alex Cheng, o mercado imobiliário será “duro” em 2023. “Isto depende muito se as políticas de habitação vão ser alteradas ou não. A título de exemplo, se o Governo abolir o imposto do selo sobre a aquisição do segundo e posteriores bens imóveis destinados à habitação, mais famílias vão ser incentivadas a melhorar as suas condições de moradia, e assim estimulando a procura do mercado imobiliário”, afirmou ao PONTO FINAL.

       

       

      PONTO FINAL