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      InícioOpiniãoAlém do Horizonte

      Além do Horizonte

      Esta época festiva teve direito a um momento alto e um presente para os investigadores e fãs da exploração espacial. Depois de vários atrasos, o telescópio espacial James Webb (cujo nome homenageia o administrador responsável pela consolidação e modernização da NASA, e supervisão do programa lunar Apollo), foi lançado no passado dia 25 de Dezembro e está agora em órbita!

       

      Este lançamento é o culminar de um longo percurso, iniciado em 1996 com a primeira fase de desenvolvimento do sucessor do Hubble, e sofrendo vários atrasos e derrapagens financeiras. O telescópio, desenvolvido pela NASA, com contribuições da agência espacial europeia (ESA) e canadiana (CSA), inicia funções 15 anos depois do originalmente previsto, mas a espera valeu a pena. Afinal de contas, as expectativas geradas para o sucessor do já velhinho Hubble (com mais de 30 anos) são enormes, mas são justificadas.

       

      O James Webb tem um design pouco convencional: o seu espelho principal consiste em 18 segmentos hexagonais de berílio revestido a ouro, que formam uma área conjunta com 6,5 metros de diâmetro (resultando numa área de captação de luz cerca de 5,6 vezes maior que o Hubble). Devido à sua enorme dimensão (equivalente a um campo de ténis), o telescópio teve que ser transportado com os seus módulos dobrados como um origami, de modo a caber no cone do módulo de lançamento do foguetão Ariane V. O desdobrar deste origami espacial para atingir a sua conformação final foi uma das tarefas mais complexas jamais realizadas no espaço e é, por si só, um marco histórico da engenharia espacial.

       

      Ao contrário dos telescópios mais tradicionais, o James Webb não está focado na observação de luz visível, estando mais direccionado para observações em infra-vermelho, particularmente em comprimentos de onda mais curtos, permitindo assim detectar objectos até 100 vezes mais ténues que o Hubble. Visto que a exposição directa à luz do sol interferiria com a detecção de objectos tão ténues, é necessário o uso de um filtro solar com várias camadas, que lhe confere um factor de protecção solar de cerca de um milhão (consideravelmente mais forte que os cremes de factor 30 ou 50 que usamos no Verão).

       

      A sua enorme sensibilidade permite-nos observar objectos bastante mais distantes (e antigos) do que os estudados até agora. Relembremos que que a velocidade da luz é finita, e que a luz de objectos mais distantes pode demorar uma quantidade de tempo considerável até chegar a nós. Assim, quando olhamos para o céu, e observamos objectos distantes, estamos na realidade a observar a luz emitida no passado, e que só agora chegou até nós. O facto de passarmos a ser capazes de observar objectos bastante mais distantes abre-nos uma janela para um passado também mais distante.

       

      O James Webb funcionará assim como uma espécie de poderosa máquina do tempo, permitindo-nos recuar cerca de 13,5 mil milhões de anos, e observar o aparecimento das primeiras estrelas e galáxias. Estas observações irão dar-nos uma perspectiva única sobre a origem e evolução das estrelas, galáxias e do universo, antevendo-se uma autêntica revolução nesta área.

       

      Outro alvo principal da missão deste telescópio que gera bastante expectativa, prende-se com o estudo de exoplanetas (planetas existentes noutros sistemas solares). O uso de infravermelhos e análises de espectrometria irão permitir obter informações detalhadas sobre as atmosferas de exoplanetas, permitindo a detecção de estações, e a existência de componentes essenciais para a Vida.

       

      No entanto, o novo telescópio espacial não vai apenas analisar planetas fora do nosso sistema solar, estando previstas novas observações de Marte (com detecção remota e análise de elementos orgânicos residuais presentes na sua atmosfera), dos planetas gigantes (e suas variações sazonais), e de corpos de menores dimensões (Plutão, luas, asteroides, cometas, e corpos da cintura de Kuiper, nos limites do nosso sistema solar).

       

       

      2022: Um ano Promissor para a Exploração do Espaço

       

      O início de operações do telescópio espacial James Webb (que só deverá estar totalmente operacional daqui por 5 meses), marca o princípio de um ano que se antevê recheado de bons momentos e várias novidades do ponto de vista de exploração espacial. De facto, os planos para 2022 incluem missões a asteroides (com destaque para Psyche e Dídimo), o regresso à Lua por parte da NASA com o programa Artemis, o lançamento dos primeiros satélites científicos de Macau, a expansão da estação espacial Chinesa, novas aproximações às luas geladas do Sistema Solar, o lançamento da nova missão ExoMars e um novo rover (Rosalind Franklin) a caminho de Marte, bem como a continuação de novas descobertas provenientes das ambiciosas missões actuais em Marte e na Lua.

       

      André Antunes

      Cientista