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      Covid-19: “A China está a olhar para o quadro geral”, refere Global Times

       

      Num editorial publicado ontem, o jornal Global Times reitera que “está provado que a política dinâmica de zero casos ainda é a melhor escolha para prevenção e controlo da pandemia”. O porta-voz oficioso da República Popular da China refere ainda que o Ocidente “não deve apunhalar a China pelas costas” e deixa a questão no ar: “Se a China, como um país em desenvolvimento com uma população de mais de 1,4 mil milhões, optar por ‘coexistir’ com a pandemia e ‘ficar deitada’, dezenas de milhões de pessoas serão infectadas e centenas de milhares de pessoas morrerão. Quem pode arcar com tais consequências?”. O Ano Novo chinês colocará o país à prova.

       

      O jornal Global Times escreveu que, “na luta contra a Ómicron, EUA e Ocidente não devem apunhalar a China pelas Costas”. Num editorial publicado ontem, o jornal com ligações ao Partido Comunista da China relembra que a nova variante está a espalhar-se pelo mundo há um mês e refere que a política de “zero casos” é para manter, e aponta o dedo aos que acusam o país de ser “rígido e imutável”. “Está provado que a política dinâmica de zero casos ainda é a melhor escolha para prevenção e controlo da pandemia”, lê-se no texto.

      O Global Times continua a mostrar ao Ocidente que a política “pode ser ajustada a qualquer momento à medida que a situação pandémica mudar”. “O que permanece inalterado é a atitude respeitosa com a vida e a saúde das pessoas. A China está a olhar para o quadro geral com esforços de prevenção e controlo da pandemia, e está a tentar realizar o processo com justiça”, sublinhou o jornal chinês.

      Na prosa publicada ontem, o porta-voz oficioso da República Popular da China relembra que “se a China, um país em desenvolvimento com uma população de mais de 1,4 mil milhões de pessoas, optar por ‘coexistir’ com a pandemia e ‘ficar deitada’” sem nada fazer, dezenas de milhões de pessoas serão infectadas e centenas de milhares de pessoas morrerão”.

      A população dos EUA é equivalente ao total das províncias de Guangdong, no sul da China, Shandong, no leste da China, e Henan, no centro da China, enquanto a população do Reino Unido é aproximadamente a mesma da província de Hunan, no centro da China, constata o Global Times. Lembrando que “esses dois países ultrapassaram recentemente um milhão e duzentas mil novas infecções num único dia, sobrecarregando o sistema médico e perturbando seriamente o funcionamento da sociedade”. A China não quer passar por isso.

      O texto, para além de explicativo, é uma resposta clara ao Ocidente que tem vindo a acusar o Império do Meio de ter uma política de zero casos sem base científica que a sustente.

      O Global Times aponta o dedo ao Ocidente e aos EUA, em particular, e recorda que, no que à economia diz respeito, “a China ultrapassou 47 mil milhões de yuans em 2021, ocupando o primeiro lugar no mundo”. Ao mesmo tempo, revela ainda o jornal estatal, “as importações e exportações totais de bens da China devem atingir os seis biliões de dólares norte-americanos”.

      As acusações ao Ocidente continuam quando o Global Times escreve, a páginas tantas, que “é ignorada a significativa contribuição da China para a luta global contra a pandemia, bem como o seu papel enquanto motor da recuperação económica mundial”.

      O jornal admitiu que o surto em Tianjin, no norte do país, é “até agora o maior surto local desencadeado pela variante Ómicron na China” e preocupa, uma vez que já “se espalhou por três gerações na cidade”.

      De igual modo, refere ainda o editorial do Global Times, a pandemia ainda não está controlada em Xi’an, capital da província de Shaanxi, no noroeste da China, e em vários lugares da província de Henan, no centro da China.

      A grande preocupação das autoridades, neste momento, prende-se com as festividades do Ano Novo Lunar, o maior e mais importante evento anual da tradição chinesa. Este ano, lembram, há mais um motivo de preocupação: os Jogos Olímpicos de Inverno, na capital Pequim.

      Com a Ómicron descontrolada, os EUA e a Europa optaram por “deitar-se de forma irresponsável diante da pandemia em fúria”. A China mostra-se convicta de que o trabalho de prevenção que tem vindo a ser feito no país é meritório. Embora a Ómicron seja altamente infeciosa, mesmo que não seja aparentemente tão grave quanto a variante Delta, “o vírus leva mais de um mês para quebrar uma pequena rachadura nas defesas epidémicas da China”. “A China, que prioriza as pessoas e as suas vidas, não se deitará, e a sua luta contra a Ómicron é vital para a comunidade internacional”, defende o editorial do Global Times.

      O jornal estatal admite, no entanto, que, neste momento, a pressão sobre Tianjin para combater a Ómicron é “claramente grande”. “Tianjin enfrenta tarefas complicadas, mas urgentes. Nesses momentos, o pessoal de prevenção e controlo deve ter em mente que todo o trabalho é feito para a saúde das pessoas e para proteger todas as vidas”, reitera a publicação.

       

      Um problema chamado Festival da Primavera

       

      O Ano Novo chinês que se avizinha “será um teste para todos os lugares da China em termos de prevenção e controlo pandémico”. Por isso, defende o Global Times, “os governos locais não devem ser complacentes, mas sim insistir na estratégia de evitar a importação de infecções de fora e um ressurgimento da pandemia dentro do país, seguindo à risca as medidas dinâmicas de zero casos”. “A pandemia não deve ser manuseada descuidadamente”, pontua o editorial estatal.

      A China, garante o Global Times, está firme na luta contra a Covid-19. Na senda de críticas vindas do Ocidente, que referem que a política de zero casos “é um fracasso” que pode trazer problemas sociais e económicos, o editorial faz uma analogia que considera ser “uma cena absurda”: “Um grupo de desertores fogem do campo de batalha, enquanto esfaqueiam os seus companheiros pelas costas que ainda se seguram na luta”.

      O editorial do Global Times surge um dia depois da consultora de riscos políticos norte-americana Eurasia Group ter referido, num relatório, “em 2022, a China vai enfrentar a altamente transmissível Ómicron, com vacinas aparentemente menos eficazes e muito menos pessoas protegidas por anticorpos criados por infecções anteriores”.

      O mesmo relatório conclui que a China irá ficar “mais isolada” no mundo com a política de zero casos numa altura em que, de acordo com diversos virologistas e epidemiologistas, o mundo vislumbra uma fase endémica para a doença que não tem dado tréguas nos últimos dois anos.

      As medidas de bloqueio para conter os surtos deverão ser ainda mais frequentes e duras, envolvendo dezenas de milhões de pessoas, lê-se no mesmo documento da consultora. “Esta crise vai continuar até que a China possa lançar vacinas de mRNA desenvolvidas internamente e reforços para os seus 1,4 mil milhões de habitantes, o que ainda deve demorar pelo menos um ano”, acrescentou.

      O Eurasia Group conclui que possam ocorrer riscos de perturbação económica e ressentimento entre a opinião pública, mas também admite que a China é uma experiência política singular, capaz de desafiar todas e quaisquer previsões.

      “A China prova há décadas que o seu sistema político autoritário cria um grau de controlo político que não vemos noutros países importantes, sejam democracias ou estados autoritários. À medida que o país se torna muito mais inovador tecnologicamente, o seu Governo e segurança pública têm ferramentas cada vez mais eficazes para manter esse controlo”, nota.

       

      G.L.P.

       

      Ponto Final
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      Redacção do Ponto Final Macau