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      Início Cultura A luz no preto e branco chega às paredes da Creative Macau

      A luz no preto e branco chega às paredes da Creative Macau

      O centro de indústrias criativas promove uma exposição colectiva de fotografia onde os seis autores vêem a luz em preto e branco. Francisco Ricarte, Ieong Man Pan, Jason Lei, João Miguel Barros, Rusty Fox e Tang Kuok Hou são os senhores que se seguem. “Dar resposta à verdadeira essência da captura das imagens” é a intenção máxima dos autores.

       

      “Seeing The Light In Black and White” (Ver a Luz em Preto e Branco) é a proposta da Creative Macau para os próximos tempos. Trata-se de uma exposição colectiva de fotografia que mostra o trabalho realizado a preto e branco por seis fotógrafos locais. A inauguração terá lugar na próxima quinta-feira, dia 13 de Janeiro, pelas 18h30, ficando patente até 19 de Fevereiro.

      Francisco Ricarte, Ieong Man Pan, Jason Lei, João Miguel Barros, Rusty Fox e Tang Kuok Hou são os nomes no cartaz da mostra. Cada um ao seu estilo, procurará apresentar uma visão monocromática da realidade. Todos criaram algo novo e original, manipulando ou não a natureza da imagem, para “mostrar a verdade”, pode ler-se na nota de imprensa enviada às redacções.

      Uma fotografia monocromática, a preto e branco, revelando os seus contrastes próprios é uma das grandes intenções dos autores para esta proposta da Creative Macau que explica na mesma nota que o trabalho dos seis autores pretende “dar resposta à verdadeira essência da captura das imagens” àquele “momento”. “Haverá verdade numa era em que as fotografias são bastante editadas com as novas tecnologias”, questiona a associação de artistas. “Se fotografia é arte e arte basta, a própria imagem deve ser independente, transmitindo tudo sem descrevê-la em texto”, acrescenta ainda.

      Ao PONTO FINAL, o português Francisco Ricarte refere ter ficado “muito honrado” com o convite da Creative Macau. “Deu-me muito gosto participar com uma série que reflecte sobre a luz, seja a sua incidência e prevalência (o branco), ou a sua ausência (o negro), e como tal jogo visual funcionava num edifício contemporâneo, extraordinário pela sua forma e conteúdo, em Shenzhen”, referiu o também arquitecto.

      Ricarte explica que “as colunas, que serviram de mote à série (em cada foto há um número sequencial de colunas) “libertam” o edifício, não só metaforicamente, mas quase que fisicamente, resultando numa série que muito me agrada”. “Espero que esta leitura de “luz libertadora” tenha eco nos potenciais visitantes da exposição”, acrescentou.

      Com a série “1, 2, 3, 4, 1/2”, o fotógrafo “olhou para o pátio do edifício com espanto: aparentemente era fechado, mas permitia vistas sutis para o exterior, em particular para o céu aberto”. “O preto e branco tornou-se fundamental para moldar sua forma e representação, com foco na individualidade e persistência no contraste da luz e sintéticos. Além disso, também pode ser entendido como uma metáfora de abertura e proximidade que estamos experimentando actualmente”, explica ainda o autor, membro da associação Halftone.

      Rusty Fox apresenta-se com o já conhecido trabalho “Dummy” que chegou a livro em 2018. “Vou cortar todas as páginas do livro e usá-las para cobrir a parede. É uma maneira mais experimental de exibir o meu trabalho, o meu livro”, começou por dizer ao PONTO FINAL.

      Wang Lap Wong, verdadeiro nome de Rusty Fox, procura com o seu livro documental “Dummy” injectar um novo fluxo de energia editorial na cidade onde nasceu e foi criado. Trata-se de um trabalho sobre humanos que abusam de estupefacientes e cujas movimentações lembram a Rusty os famosos “crash test dummies”. O autor, membro do colectivo Dialect, no seu manifesto artístico, refere que as pessoas fotografadas estavam “sem mente e sem alma” e, por isso, à medida que os fotografava, “sentia uma espécie de vazio nos seus olhos, como se estivessem possuídos por espíritos”.

       

       

       

      PONTO FINAL