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      InícioCulturaA vitalidade da fotografia contemporânea de Macau exposta em “Narrativas a Oriente”

      A vitalidade da fotografia contemporânea de Macau exposta em “Narrativas a Oriente”

      Joana Chantre

      João Miguel Barros assume a curadoria da exposição “Narrativas a Oriente”, a ser inaugurada na Casa Garden, esta sexta-feira às 18h30. Vários artistas foram escolhidos para exibirem os seus trabalhos. O projecto, que surge como uma alternativa ao encerramento à exposição da World Press Photo, procura estar “assente na diversidade de visões de propostas estéticas e artísticas de 20 artistas residentes em Macau”.

       

       

      Na sexta feira, às 18h30, será inaugurada uma exposição colectiva, na galeria principal da Casa Garden, intitulada “Narrativas a Oriente”, organizada em conjunto pela Fundação Oriente, o Banco Nacional Ultramarino (BNU) e o Instituto Português do Oriente (IPOR). A exposição de fotografia, que tem a curadoria de João Miguel Barros, terá trabalhos de 20 artistas com ligação a Macau.

      João Miguel Barros, advogado de profissão, mas também fotógrafo, assume a curadoria do projecto. Ao PONTO FINAL, explica: “Este nome, ‘Narrativas a Oriente’, tem no fundo implícito um jogo de palavras. Incorpora ‘narrativas’, no sentido de histórias contadas por diversos artistas, e ‘a oriente’, porque estamos no Oriente, mas também na Fundação Oriente”.

      Questionado sobre como surgiu a ideia para realizar uma exposição com este tema, o português responde que tudo começou com um desafio lançado na sequência do encerramento prematuro da exposição da World Press Photo, há pouco mais de um ano, que se costumava realizar nas mesmas instalações da Casa Garden. Recorde-se que a Casa de Portugal, que organizava a exposição, não explicou o encerramento da exposição. A TDM-Rádio Macau noticiou, na altura, que o encerramento estaria relacionado com uma série de fotografias dos protestos pró-democracia em Hong Kong.

      “Quando soube que o World Press Photo ia ser suspenso e que não ia ter continuidade na programação da Fundação Oriente, que era um espaço que estava reservado anualmente para a fotografia, na altura a Ana Paula Cleto [delegada da Fundação Oriente em Macau] falou comigo e disse que talvez fosse interessante arranjar-se uma alternativa ligada à fotografia, e eu pensei e sugeri que se pudesse fazer um projecto muito ambicioso, que era fazer uma Bienal de fotografia contemporânea em Macau, alternando com a ARTFEM – Bienal Internacional de Macau”, aponta.

      O presidente da associação de fotografia recém-criada Halftone conta que fez um projecto para essa ideia e apresentou-o à Fundação Oriente, tendo sido aprovado pela instituição.  João Miguel Barros recorda que pouco tempo depois surgiu a pandemia, que obrigou o projecto de uma Bienal de Fotografia a ser reformulado.

      Para o “ano zero” desta exposição, o fotógrafo sugeriu algo alternativo, criando “Narrativas a Oriente”. “Aqui não temos um tema estruturante, pois a ideia é justamente haver narrativas plurais e que cada artista tenha a liberdade de escolher a sua própria, para o projecto que vai apresentar”, indica o curador, acrescentando: “Entre os 20 artistas há portugueses e chineses e, fora disso, cada um tem uma grande liberdade criativa e portanto, a grande virtude que esta exposição pode ter são mostrar a diversidade de trabalhos e mostrar também o modo tão diferente de como se faz fotografia, com abordagens tão ricas, que os artistas de Macau têm em relação à fotografia, sendo isso uma vantagem”.

      Relativamente ao critério que usou na escolha dos 20 artistas presentes, João Miguel Barros responde apenas que são pessoas cujo o trabalho conhece. Os 20 fotógrafos locais que vão participar na exposição são: Sara Augusto, Mica Costa-Grande, José Drummond, Rusty Fox, Chan Hin Io, Ieong Ho Tong, Cecilia Ho, Alan Ieong, Alice Kok, Tang Kuok Hou, Jason Lei, Gonçalo Lobo Pinheiro, David Lopo, António Mil-Homens, João Palla Martins, Francisco Ricarte, Saskia Salgado, Elói Scarva, Nuno Veloso e Yiima.

      “Evidentemente que há trabalhos muito diferenciados, há propostas também muito diferentes porque os artistas têm práticas artísticas muito diferentes. Portanto, eu também escolhi um bocadinho essa diversidade. Não andei à procura de pessoas que tivessem uma prática conceptual muito equivalente. Quis mesmo essa diversidade para tentar mostrar que em Macau há esta riqueza de propostas”, frisa.

      Cada artista terá um espaço de três metros para expor o seu trabalho. “Cada um pode escolher o que quiser fazer para ocupar aquele espaço que lhe esta destinado. Há artistas que têm apenas uma peca, como por exemplo o José Drummond e a Alice Kok, mas depois há quem tenha mosaicos de pequenas fotografias em grande quantidade, portanto há muita diversidade. Há trabalhos que são apresentados em caixa de luz e há outros que são em métodos mais tradicionais, há muitas surpresas”, revela.

      Por fim, João Miguel Barros adianta que a sua ideia era, no próximo ano, ter um novo tema para a exposição. “Se for para a frente o projecto da Bienal, provavelmente vai ser assente na ideia da ‘Memória da Identidade’ como tema principal”, adianta. “Macau tem imensa gente a fazer fotografia e, quando pensamos que Macau é uma terra muito pequena, às vezes não pensamos que há muita gente com propostas artísticas, não só na fotografia, mas no campo da expressão artística, muito válidas, e, portanto, no âmbito da fotografia era importante haver mais iniciativas com esta abrangência”, conclui. A exposição vai estar patente na Casa Garden até ao último dia do mês de Janeiro.

       

      PONTO FINAL