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      “O caminho para o paraíso começa no inferno”. Dante analisado em conferência na Fundação Rui Cunha

      Dante Alighieri, poeta, escrito e filosofo italiano, foi o responsável por “Divina Comédia”, que atravessou séculos de expressão poética e artística. Sara Augusto, professora do Instituto Politécnico de Macau, vai falar sobre Dante na galeria da Fundação Rui Cunha. A sessão acontece hoje, pelas 18h30.

      O Instituto Politécnico de Macau (IPM) e a Fundação Rui Cunha vão realizar hoje a primeira de três conferências do ciclo “Visões, Imagens e Memórias na Arte e na Literatura”. Sara Augusto, professora do IPM, vai começar por falar sobre Dante Alighieri.

      A primeira sessão começa hoje às 18h30 e terá como tema os 700 anos da morte de Dante Alighieri, nomeadamente o “Inferno”, a primeira parte da “Divina Comédia”. Dante Alighieri, poeta, escritor e filosofo Italiano, é conhecido como sendo um dos pais da língua italiana. É também apontado como um dos responsáveis pela ideia do paraíso, do purgatório e do inferno que nos chegam.

      Sara Augusto, professora adjunta convidada do IPM desde 2016, explicou ao PONTO FINAL como surgiu esta iniciativa: “Estes anos tem havido várias efemérides e teremos muitas no ano que vem. Esta era uma delas. Os 700 anos do Dante Alighieri”. Em Lisboa têm havido algumas acções de forma a marcar esta data, sobretudo no Instituto Gulbenkian. Foi com estas iniciativas em conta que a professora teve a ideia de fazer este ciclo de palestras em Macau.

      Relativamente ao que se vai passar na conferência de hoje, Sara Augusto assinalou que vai começar a partir de “Inferno”, da obra “Divina Comédia”. “Vamos partir da leitura de alguns excertos desta primeira parte, e vamos partir para a literatura portuguesa e para a arte, portanto vamos fazer assim um percurso interessante entre a literatura e a arte, que trata do inferno, muito à imagem do Dante Alighieri. Entretanto, é importante verificar que a imagem que temos hoje do inferno foi muito construída a partir da ‘Divina Comédia’, por isso é uma obra importante”, apontou.

      A professora portuguesa nota que a importância de Dante tem, acima de tudo, a ver com a memória e as imagens. “É muito interessante pensar que nas imagens que temos do inferno na nossa cabeça e de onde vêm. Quando nós pensamos em inferno, quase sempre pensamos em diabinhos, chamas intensas, ou então, também chamamos inferno a um estado interior de dor”, comentou, frisando: “É interessante verificar de onde vêm essas imagens, sobretudo a imagem do inferno que nós temos na nossa cabeça e que conhecemos desde pequenos, de onde é que vêm estas imagens, e é também disso que eu vou falar amanhã [hoje]”.

      Na cultura chinesa, o simbolismo não é o mesmo. “É completamente diferente para os chineses. É obvio que as nossas culturas têm até conceitos que podem ser bastante diferentes”. E exemplifica: “A imagem europeia [do inferno] é mais ou menos coerente, porque ela já foi construída desde a Idade Média, e já nessa altura ela era um resumo ou uma síntese de muitas outras imagens que vinham desde a mitologia, passando por outros aspectos do Médio Oriente, etc.”, afirmou, pensando já em futuras sessões: “Em relação ao inferno na literatura e na cultura chinesa, ora aí está um belo diálogo que depois poderia ser feito numa outra etapa”.