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      “Projecto Global”, o filme “megalómano” sobre as FP25 que Ivo Ferreira quer estrear em 2023

      Ivo Ferreira está a preparar um filme que se foca no contexto histórico do Portugal do início dos anos 80, nomeadamente nas FP25. Ao PONTO FINAL, o cineasta adiantou que este será “um projecto megalómano para Portugal” e que o filme deverá estrear em 2023. Hélder Beja, coargumentista do filme, assumiu que foi “um exercício complexo”.

      As Forças Populares 25 de Abril (FP25) estão no centro do próximo filme de Ivo Ferreira, revelou o realizador ao PONTO FINAL. O filme, que terá como nome “Projecto Global”, vai acompanhar o contexto histórico do início dos anos 1980. O argumento foi escrito em colaboração com Hélder Beja e com o historiador Francisco Bairrão Ruivo. Esta coprodução europeia deverá estrear em 2023.

      O cineasta contou que desde criança queria fazer um filme sobre este tema. “É uma história que atravessou a minha vida, de alguma forma, em miúdo”, indicou, lembrando que cresceu ligado ao Teatro da Comuna, onde “havia uma série de gente ligada à política”. “Não é um assunto fácil de pegar, esperei até achar que estava preparado”, referiu.

      “Projecto Global” será uma coprodução europeia “com algum peso”, assinalou Ivo Ferreira, não querendo adiantar quais os países que envolvidos no projecto, além de Portugal. “É um projecto megalómano para Portugal”, sublinhou.

      O filme está escrito, mas as filmagens só começam no próximo ano devido à pandemia. “Projecto Global” será filmado maioritariamente em Portugal, com algumas cenas a serem filmadas noutros países.

      No total, o filme terá mais de três horas e, por isso, será também transformado numa mini-série. “Como eu não o queria cortar, arranjámos uma forma, que foi ampliá-lo absolutamente e fazer também, além da longa metragem, uma mini-série de seis episódios de uma hora como forma de financiar o filme e difundir por outros canais”, explicou o realizador. A ideia da equipa é fazer com que o filme estreie num dos festivais de cinema de classe A em 2023, como Berlim ou Cannes, exemplificou o cineasta.

      O filme contou com a investigação do historiador Francisco Bairrão Ruivo, que se tem debruçado sobre o PREC. Francisco Bairrão Ruivo e Ivo Ferreira viajaram por Portugal e chegaram a falar com antigos operacionais das FP25. Hélder Beja, antigo editor do PONTO FINAL e director da revista Macau CLOSER, juntou-se depois à equipa para escrever o argumento.

      “O ‘Projecto Global’ é uma ficção inspirada em acontecimentos reais, mas que obviamente vai muito para lá do que aconteceu nos anos 80 em Portugal”, descreve o coargumentista, explicando que o guião é totalmente ficcionado e segue o percurso de três personagens centrais. “É um filme que parte desta história rocambolesca das FP25, mas é a nossa visão sobre aqueles anos e é uma proposta de um olhar sobre aqueles anos”, indicou.

      O trabalho desenvolvido por Francisco Bairrão Ruivo serviu, então, de base para a narrativa. “Se houve alguma coisa difícil foi excesso de informação”, referiu Hélder Beja, destacando o “grande trabalho historiográfico” do investigador. “Não foi difícil por falta de material, foi o oposto”, sublinhou.

      Mergulhar na história das FP25 foi “muito gratificante”, assumiu o jornalista Hélder Beja, acrescentando: “Conhecia a história das FP25, mas conhecia-a como a maior parte das pessoas: pela rama. É um tema polémico e complexo, um tema que pode ter muitas interpretações e leituras, como pudemos ver com o falecimento do Otelo Saraiva de Carvalho, a forma absolutamente bipolarizada como a sociedade reagiu ao seu desaparecimento e que obviamente está muito ligada àquilo que terá sido a eventual participação do Otelo nas FP25”.

      “Não acho que leituras simplistas sejam suficientes para definir aquilo que foram as FP25 e o Projecto Global e acho que o filme tenta ser um filme que passa por alguns dos episódios mais importantes desta organização, tentando não fazer julgamentos de valor, nem de bons e maus, heróis e bandidos”, afirmou Hélder Beja, concluindo: “Foi um exercício complexo mas esperamos ter chegado a bom porto”.

      Ivo Ferreira confessou que gostava de ter mostrado o filme a Otelo Saraiva de Carvalho, que morreu a 25 de Julho. “Gostava muito que ele visse o filme, gostava muito que ele lesse os argumentos. Eu gostava muito que ele tivesse visto. Claro que tenho muita pena”, lamentou.