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      Clara Law vence prémio de melhor realizadora em Taiwan com filme rodado em Macau

      A cineasta nascida em Macau Clara Law venceu, no sábado, o prémio de melhor realizadora nos Golden Horse Awards, de Taiwan. O filme que lhe valeu o galardão foi “Drifting Petals”, que foi parcialmente rodado em Macau.

      Clara Law, cineasta nascida em Macau e sediada agora na Austrália, venceu o prémio de melhor realizadora nos Golden Horse Awards, de Taiwan. “Drifting Petals”, com cenas filmadas em Macau, é o filme que valeu à realizadora o prémio.

      A realizadora não esteve presente em Taipé para receber o prémio. Foi Lin Lai, uma das actrizes do filme que estreou o ano passado, a aceitar o prémio em seu nome. Segundo o portal Focus Taiwan, Lai assinalou que Law tem sido conhecida como uma realizadora com pouca sorte, uma vez que tem sido nomeada sem nunca ter ganho o prémio. “Parecia que as pessoas me estavam a dizer que não era suficientemente boa e que tinha de me esforçar mais uma vez”, disse Lai, citando a realizadora de Macau. Law, de 64 anos, tinha anteriormente recebido seis nomeações nos Golden Horse Awards – quatro para melhor realizador e duas para melhor argumento original – para os filmes “Like a Dream”, “Floating Life”, “Autumn Moon”, e “Farewell, China”.

      Através de Lai, Clara Law agradeceu a quem trabalhou com ela no filme e aos amigos pela ajuda que ofereceram ao longo do processo. “Mais especialmente, ela quer agradecer ao Eddie Fong, a pessoa que cozinha ao seu lado na cozinha todos os dias”, indicou a actriz, referindo-se ao produtor, colega de escrita e marido de Law.

      “Drifting Petals” segue um cineasta e um estudante de piano através do seu passado e futuro em Hong Kong e Macau, depois de se encontrarem pela primeira vez na Austrália. As suas histórias fundem-se à medida que cada um deles procura algo que está a desaparecer das cidades que amam. Durante quatro anos de realização, o filme foi financiado, escrito, rodado e pós-produzido inteiramente por Law e Fong.

      Os outros realizadores nomeados este ano para esta categoria eram Cheng Wei-hao, com o filme “The Soul”; Chung Mong-hong, com “The Falls”; Jun Li, com “Drifting”; e Ho Wi-ding e Hu Chih-hsin, com “Terrorizers”. A 58ª cerimónia de entrega Golden Horse foi realizada no Sun Yat-sen Memorial Hall, em Taipé, no sábado. Estes prémios foram estabelecidos em 1962 e são considerados entre os mais prestigiados e honrados prémios de cinema no mundo do cinema em língua chinesa.

       

      UMA LIGAÇÃO “INTANGÍVEL” A MACAU

      Em 2016, quando Clara Law esteve em Macau a “Drifting Petals”, foi entrevistada pela revista Macau Closer. Muitos anos após ter deixado Macau, Law lembrava o território da sua infância como “um lugar muito sossegado e pacífico”. “Agora parece que não consigo respirar”, dizia.

      Ainda assim, afirmava: “Acho que há aqui algo que torna Macau especial. É preciso procurá-lo. Não está à superfície. A mistura do português é estranha, o que me faz sentir que é parte de mim. Não se trata da cultura portuguesa, há algo que me faz sentir que tenho uma ligação a este lugar. É intangível. Acho que o passado é parte de nós e cresce em nós. Quanto mais velho fores, mais o teu passado volta realmente para ti”.

      “O estranho é que quando uma amiga me levou para ver a cidade, eu consegui lembrar-me de todos os lugares. Eu achei muito estranho. Ainda tenho lembranças dos lugares. Claro que a casa em que vivia desapareceu, mas está na minha memória, está nos meus sonhos, eu sonhei muito com ela”, recordava a cineasta em 2016.

      Sobre o filme, Clara Law dizia: “Este filme é sobre o espírito humano, a procura da beleza, a procura de um lar. Estou à procura da nossa posição no mundo moderno, que penso ser o meu tema para sempre. E isto é o mais frustrante, porque muitas vezes, quando levo um filme a festivais, dizem que o filme é sobre um tema, mas os meus filmes não são apenas sobre um tema. Achei isso muito frustrante, porque a arte não é apenas sobre questões. É sobre a existência, a sua relação com o mundo. A filosofia, a arte, a cultura, todas estas coisas, já não as encontro. Talvez não sejamos capazes de o conseguir aqui, mas pelo menos estamos a tentar”.

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