Edição do dia

Segunda-feira, 26 de Fevereiro, 2024
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
nuvens dispersas
13.9 ° C
15.9 °
13.9 °
72 %
5.7kmh
40 %
Dom
16 °
Seg
19 °
Ter
20 °
Qua
20 °
Qui
21 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More
      Início Cultura A minúcia das aguarelas de Bernardino de Senna Fernandes como lembrança de...

      A minúcia das aguarelas de Bernardino de Senna Fernandes como lembrança de uma Macau passada

      A obra de Bernardino de Senna Fernandes, artista macaense que deixou várias peças de pintura e desenho, vai estar em exposição na galeria do projecto Hold On To Hope, da Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM). A exposição é inaugurada no dia 4 de Dezembro.

      Dia 4 de Dezembro, pelas 15h30, é inaugurada a exposição de pinturas de Bernardino de Senna Fernandes, na galeria do projecto Hold On To Hope, da Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM), na Antiga Leprosaria de Ká-Hó.

      Bernardino de Senna Fernandes foi um artista macaense, que, além de ser ‘designer’ de profissão, dedicou-se à pintura e ao desenho e deixou várias obras de teor paisagístico, nomeadamente de Macau e Lisboa, onde fez várias exposições.

      Falecido aos 91 anos de idade, Bernardino de Senna Fernandes deixou várias das suas obras em colecções particulares, inclusivamente uma pequena colecção de 27 pinturas a aguarelas e a óleo que vão estar expostas nesta exposição na ARTM. A Galeria do projecto Hold On To Hope, em conjunto com Jorge de Senna Fernandes, filho do artista, são os organizadores deste evento que espera difundir os trabalhos do artista.

      “Decidimos fazer isto agora porque já há tempos que os meus amigos e conhecidos me tinham falado nisso, nomeadamente o pessoal da galeria da ARTM”, começou por explicar Jorge de Senna Fernandes, acrescentando: “Eles disponibilizaram o espaço para fazermos a exposição. E como o meu irmão tinha cá uma série de quadros, de obras do meu pai, eu resolvi fazer agora a exposição”.

      Esta não é a primeira exposição de Bernardino de Senna Fernandes, sendo que a primeira aconteceu em 1982, organizada pela associação dos antigos alunos do liceu. “Já desde essa altura que havia uma série de pessoas que tinham comprado quadros, inclusive de Macau e que fizeram uma certa pressão para fazermos agora outra exposição sobre as obras do meu pai, e como consegui reunir as condições, decidi ir em frente”, sublinhou.

      Relativamente aos trabalhos expostos, são 27 obras, algumas das quais já foram expostas no passado, porém outras vêem a luz do dia pela primeira vez, depois de terem estado anos guardadas. “São todas obras de pintura. Umas são aguarelas, umas a óleo e outras a Ecoline, que é um tipo de tinta concentrada”, assinalou.

      A temática das pinturas, aponta, é Macau e Lisboa. “O meu pai, depois de fazer um registo daquilo que queria pintar, chegava depois a casa e concluía o trabalho. Ele ia à rua com o seu bloco, fazia os seus apontamentos ou tirava fotografias. Engraçado porque hoje em dia usa-se mais as fotografias e já não se vê pessoas por aí a desenhar”, comentou.

      As obras, que vão estar todas à venda, já têm vários interessados, estando algumas já reservadas: “Temos potenciais compradores, porque isto aqui é uma coisa quase particular, porque todas aquelas pessoas com quem eu me dou algumas querem ficar com os quadros, já andaram a planear o que querem. Conheço muitas pessoas que já há anos que compram muitos quadros ao meu pai”.

      Quanto à sua obra preferida, Jorge de Senna Fernandes, responde que não consegue escolher. “Aquilo é tudo muito pessoal. Eu acho que ele tem quadros muito giros. Ele tem uma forma de pintar muito diferente daquelas muito exactas. Da maneira como trabalha, as pessoas reconhecem o sítio onde é, mas não é tipo fotografia, ele dá sempre o seu toque pessoal, mas consegue identificar-se a situação, onde é que aquilo se está a passar, é muito pessoal”, descreveu. Jorge de Senna Fernandes recorda o quão minucioso o seu pai era nos seus trabalhos e na sua vida em geral. “Todas as pessoas diziam isso”, concluiu. A exposição vai estar patente na galeria da ARTM até dia 11 de Janeiro e é de entrada livre.