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      Creches privadas com clientela expatriada em situação de desespero

      A creche privada “My Gallery Playschool”, na Taipa, será brevemente mais uma das várias creches privadas a ter de encerrar portas. A servir, na sua maioria, filhos de expatriados, muitos dos quais em vias de voltar para os seus países, estas creches ficam em situação complicada, indica Cleigh Cheang, responsável da “My Gallery Playschool”.

      O encerramento precoce de estabelecimentos com clientela focada nos expatriados não se resume a restaurantes e cafés, mas também a creches, por exemplo. Caleigh Cheang é a fundadora e directora da creche “My Gallery Playschool”, situada na Taipa, na zona dos Jardins do Oceano, que serve crianças a partir dos 18 meses até aos 3 anos de idade. A professora, com dez anos de experiência no ensino e com diplomas relacionados com a terapia de música e fonética, sente-se preocupada com a situação dos encerramentos destes estabelecimentos.

      “Li o artigo acerca do encerramento do Cuppacoffee e senti-me triste porque tenho empatia, especialmente porque o meu negócio também está prestes a fechar. Sei de, pelo menos, três creches privadas que encerraram recentemente”, lamenta. A empresária revela que várias creches e berçários privados têm vindo a fechar devido a problemas financeiros.

      “Nós não recebemos os subsídios do Governo, porque não nos é facilitada essa hipótese por sermos considerados uma creche de ‘serviços alternativos’ em Macau”, assinala. Caleigh Cheang diz já ter pedido apoios ao Governo, mas refere que os pedidos foram sempre rejeitados e, além disso, foi-lhe dito para não ter qualquer esperança em receber ajuda financeira.

      Esta creche com uma abordagem holística no ensino das suas crianças e que, promove a celebração das diferenças e semelhanças através da contratação de funcionários multiculturais com experiência de ensino no Reino Unido, África do Sul, Maurícias, Austrália e Macau, descreve que 95% dos seus clientes são expatriados, o que faz com que estejam a perder o seu sustento, visto que uma parte dos expatriados estão a voltar para os seus países.

      “De 24 estudantes – e costumávamos ter uma longa lista de espera, como somos uma pequena creche – temos actualmente apenas seis alunos”, revela, assinalando: “Durante a pandemia, a nossa renda foi aumentada, não obtivemos apoio nem nos dias em que fomos forçados a fechar devido aos surtos ou em que optámos nós mesmos por fechar, uma vez que damos prioridade à segurança, quando houve mais alguns casos”.

      Caleigh explica que, para piorar a situação, nos requerimentos de funcionamento, o Governo exige que as creches tenham, no mínimo, quatro funcionários a trabalhar, mesmo nos dias em comparece apenas uma criança. “Esta regra acrescenta uma carga financeira desnecessária para o negócio e parece-me ser desactualizada, visto que em outros sítios existe uma relação educador-estudante, como por exemplo para cada quatro estudantes atribui-se um educador”, aponta.

      A directora, nascida em Macau e formada nos Estados Unidos, Europa e Austrália, faz questão de acrescentar que sabe de creches e berçários que continuam a abrir no território, com autorização do Instituto de Acção Social (IAS). “Como e porque é que continuam a deixar abrir estes negócios, se sabem muito bem que muitos de nós estamos a enfrentar dificuldades e às portas da falência?”, questiona, exemplificando: “Deparámo-nos com uma outra creche subsidiada a abrir mesmo à nossa frente há uns anos e acho que não é uma utilização lógica de recursos, deveria haver um aviso sobre quantas creches são autorizadas em cada bairro, tendo em conta as crianças que necessitam dos serviços em cada área diferente”.

      “Na minha opinião, o Governo deveria tomar notas dos sistemas dos outros sítios mais avançados, ter uma estrutura para o grupo do infantário, mas permitir espaço para os próprios centros interpretarem e compreenderem o desenvolvimento das crianças e fundamentalmente aceitarem abordagens diferentes, pois nenhuma criança é a mesma e necessitam de abordagens diferentes”, conclui.