Edição do dia

Segunda-feira, 26 de Fevereiro, 2024
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
nuvens dispersas
13.9 ° C
15.9 °
13.9 °
72 %
5.7kmh
40 %
Dom
16 °
Seg
19 °
Ter
20 °
Qua
20 °
Qui
21 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More
      Início Cultura Autores locais dominam 10.ª edição do Festival Literário de Macau  

      Autores locais dominam 10.ª edição do Festival Literário de Macau  

      O evento decorre de 3 a 5 de Dezembro na Casa Garden, com performances noutros pontos da cidade. José Eduardo Agualusa e João Morgado contam-se entre os autores que vão participar no evento à distância.

      Deolinda da Conceição e o papel da mulher na literatura e na sociedade de Macau é o tema de abertura da 10.ª edição do Festival Literário de Macau – Rota das Letras, que se realiza de 3 a 5 de Dezembro e terá como base a Casa Garden, sede da Fundação Oriente.

      No centenário do nascimento da escritora macaense, o Rota das Letras leva ao palco principal do evento escritores, académicos e tradutores para celebrarem a sua vida e obra, e apresenta uma performance construída em torno do seu livro de contos “A Cabaia” – uma produção do grupo de teatro experimental Artistry of Wind Box, com espectáculos marcados para os dias 4 e 5 na Galeria da Livraria Portuguesa. Posteriormente, o mesmo espectáculo terá lugar de 10 a 12 de Dezembro no Jardim da Vitória e de 17 a 19 de Dezembro no Jardim de Vasco da Gama.

      De volta à Casa Garden, o Festival assinala o segundo centenário da primeira tradução da Bíblia para chinês com uma sessão em que será recordada a figura do reverendo Robert Morrison, principal mentor do projecto. Logo a seguir, será efectuada uma visita guiada ao Cemitério Protestante de Macau, sobre cuja inauguração passam agora também 200 anos.

      Entre os escritores que vão participar na edição deste ano do Rota das Letras merece especial destaque o angolano José Eduardo Agualusa, que falará, virtualmente, de “Paraíso e de Outros Infernos”, um livro de crónicas que, pela mão do festival, vai passar agora a ter edições em chinês e inglês.

      Outras obras lançadas este ano pelo Rota das Letras serão “O Tempo e o Vento”, um livro de poemas de Fernando Sales Lopes; “Erosão”, a poesia de Gisela Casimiro em edição bilingue (português e chinês); e “Nada te Morre”, um conto de Maria Paula Monteiro, também nas duas línguas oficiais da RAEM.

      Entre os livros não editados pelo Rota das Letras, mas que serão apresentados no evento, contam-se “Para o Farol”, conto vencedor da 12ª. edição dos Prémios Literários de Macau, da escritora chinesa Wang Yixin; “Amor Incondicional”, romance de ficção científica assinado por Leong Sok Kei; “Eu Desenho a Minha Vida”, da escritora e designer Un Kei; “Desenhando a Minha Cidade”, antologia poética de Arthur Ng; “Para Além da Memória”, do arquitecto André Lui; “Retratos de Luso-Asiáticos do Sri Lanka”, do também arquitecto João Palla; e “Contos de Macau”, de João Morgado, uma colectânea que resulta da anterior passagem do escritor pelo Festival Rota das Letras, em 2017. O autor fará agora a apresentação do livro virtualmente, em Portugal. Todos os restantes autores estarão presentes no palco da Casa Garden. Uma sessão de poesia, organizada pela associação Macau Outersky Poets, encerrará o segundo dia do festival.

      O Rota das Letras dá também destaque este ano ao trabalho editorial do Instituto Internacional de Macau (IIM), de grande importância para a preservação da História e das histórias desta terra. Stuart Braga e J.J. Monteiro apresentarão as suas últimas obras, ambas com a chancela do IIM: “Nos Sa Téra, Nos Sa Génti (Our Land, Our People)”; e “Macau Vista por Dentro”, respectivamente.

      O centésimo aniversário do nascimento de Jorge Listopad, escritor, crítico literário, realizador, encenador e filósofo luso-checo, levará o festival até Praga, capital da República Checa, onde Joaquim Coelho Ramos, director do IPOR nos últimos três anos, lhe fará a devida homenagem.

      A literatura infantil estará também presente no Rota das Letras, através de um workshop conduzido por Jojo Wong, vice-presidente da associação Outersky Poets.

       

      Para além dos livros 

      As artes de palco não vão resumir-se à encenação d’“A Cabaia”. Na Residência do Cônsul-geral de Portugal em Macau, situada no edifício Bela Vista, o grupo de teatro Cai Fora leva à cena a peça “Por Confirmar”, baseada na obra “A Alma Perdida”, da escritora polaca Olga Tokarczuk, Prémio Nobel da Literatura em 2018. Haverá seis representações, todas a realizar no amplo terraço do histórico edifício.

      “Não-Querer-Saber-de-Nunca-Saber-para-Onde-Ir” é o título da performance da autoria de Isaac Pereira (texto) e François Girouard (música) que será representada no Art Garden, em duas noites do Festival.

      Também no mesmo edifício, sede da associação Art For All, terá lugar na noite de sábado um concerto com a participação da banda Work Tone e dos vocalistas Gabriel e Maria Monte (nome de palco de Maria Paula Monteiro). A cantora portuguesa estreará em Macau canções do seu mais recente trabalho, o EP “Laços”, composto em estreita colaboração com o músico de Macau João Caetano, percussionista da banda britânica Incognito e fundador da editora Macau Records.

      Finalmente, no campo das artes plásticas, duas exposições vão ser apresentadas na Casa Garden na abertura do Festival: uma reúne os trabalhos vencedores do Concurso de Fotografia Uma Estranha Familiaridade, organizado pela revista Macau Closer; a outra mostra trabalhos de fotografia e escrita de Carlos Morais José e Rosa Coutinho Cabral, um projecto a que chamaram “Visto com os Pés, Escrito com os Olhos”, e que levaram recentemente ao Festival Literário de Óbidos (Folio).

      Na Casa Garden, para além da habitual banca de venda de livros, gerida pela Livraria Portuguesa, haverá ainda uma banca dedicada à HALFTONE, a nova associação de fotografia do território, onde, para além dos interessados puderem comprar a revista da entidade e livros dos associados, podem ainda fazer-se sócios da associação. Haverá ainda lugar a uma conferência sobre literatura e fotografia, cujos pormenores serão divulgados em breve.

      Como em edições anteriores, o Festival Literário de Macau conta com o apoio da Fundação Macau e do Instituto Cultural, do Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Hong, Instituto Português do Oriente (IPOR) e Fundação Oriente, bem como de algumas das mais importantes empresas dos sectores da hotelaria, jogo, banca e telecomunicações: SJM, Galaxy Entertainment, MGM Macau, Melco Resorts, Sands China, BNU, ICBC, CTM, entre outras.

      O programa detalhado e definitivo da 10.ª edição do Festival Rota das Letras será divulgado nos próximos dias.