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      Início Desporto Um Grande Prémio com menos brilho, mas a chama não se apagou

      Um Grande Prémio com menos brilho, mas a chama não se apagou

      André Vinagre

      Jorge Fão, Manuel Silvério e Francisco Manhão confessam-se adeptos do Grande Prémio de Macau, mas concordam que esta edição do Grande Prémio de Macau vai ser diferente das anteriores, terá menos emoção. No entanto, Silvério e Manhão manifestam satisfação por, apesar das restrições, o evento desportivo se continuar a realizar este ano. Já Fão defende que a edição deste ano não se deveria realizar.

       

      À 68.ª edição, o Grande Prémio de Macau ficou sem pilotos estrangeiros devido às restrições no âmbito da pandemia. Para Jorge Fão, Manuel Silvério e Francisco Manhão, assim o Grande Prémio vai perder algum do seu brilho.

      Ao PONTO FINAL, Francisco Manhão, presidente da direcção da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC), começa por descrever o grande Prémio de Macau como “o maior cartaz desportivo” da região e confessa ver as corridas todos os anos. “Não costumo ir ao Grande Prémio, mas vejo na televisão. É melhor na televisão, em casa, encostado no sofá”, ri-se.

      No entanto, esta edição, bem como a edição do ano passado, ficaram “estragadas” pela pandemia. “É diferente dos outros anos. Era muito mais animado, mais alegre, viam-se multidões de pessoas”, comenta, ressalvando que pode haver visitantes a chegar do interior da China para ver as corridas no Circuito da Guia. “Eu penso que podem vir algumas pessoas da china, para melhorar um bocado o ambiente. Vai contribuir. Mas como anteriormente acho que é difícil”, lamenta.

      Para Manhão, o Governo fez bem em manter o evento este ano: “É bom que se realize este ano e que se mantenha este que é o maior cartaz desportivo de Macau”. Manhão diz também que o Governo deve manter o evento nos próximos anos “e ver se a porcaria da pandemia desaparece”.

      Manuel Silvério, antigo presidente do Instituto do Desporto (ID), diz que, desde 1986, foram poucas as vezes em que não assistiu às corridas da bancada. No ano passado não esteve presente no Circuito da Guia e este ano também não estará. “Já tenho Grandes Prémios a mais”, confessa. Mas já está farto? “Não quero dizer que estou farto, tem a ver com a idade”, diz. “Este ano julgo que não há interesse em termos desportivos”, admite.

      “Este ano o Grande Prémio de certeza que será diferente dos anteriores, sem nenhum corredor estrangeiro. É a primeira vez em que há ausência de qualquer prova da FIA”, lembra, considerando que a edição deste ano será uma “prova de entretenimento para as pessoas daqui”. “Poderá eventualmente ser uma forma mais doméstica de dar vida à cidade, seguindo as regras de segurança”, diz. Além disso Silvério destaca que, embora sem a mesma expressão de anos anteriores, o evento irá criar postos de trabalho.

      Silvério assinala o esforço feito pela organização para não interromper a prova e nota que “nenhum Chefe do Executivo vai querer, durante a sua governação, ter uma das edições do Grande Prémio adiado ou cancelado”.

      Jorge Fão é o mais pessimista dos três. “Este ano [o Grande Prémio] não vai ter brilho nenhum”, afirma o presidente da mesa da assembleia-geral da APOMAC, antevendo “bancadas despidas” no Circuito da Guia.

      Fão, que em tempos chegou a morar numa casa com vista para o circuito, lembra que dantes “as pessoas estavam entusiasmadas, gostavam muito, sabiam os nomes dos pilotos de cor e salteado e quais as suas viaturas”. No entanto, nos últimos anos, confessa ter perdido interesse.

      “Creio que o Grande Prémio não perdeu importância, apesar de eu não ter assistido aos últimos. Já perdi aquele entusiasmo do passado. Comecei a achar que aquilo era muito barulhento para mim”, nota.

      Apesar de em tempos ter reunido a família e amigos em casa para, da varanda, assistirem ao vivo às corridas, agora até faz questão de se afastar do ruído dos motores. “O Grande Prémio tem duas desvantagens: primeiro, é muito barulhento e segundo, porque eles fecham as ruas todas. Agora temos muito mais automóveis a circular em Macau e com o circuito fechado fica tudo engarrafado. Para evitar essas coisas, saímos de Macau para algum sítio aqui perto para passar uns dias”, diz.

      Jorge Fão defende mesmo que a edição deste ano nem se devia realizar. “Eu optava por não fazer o Grande Prémio, que perdeu totalmente o entusiasmo. Não vindo ninguém de fora, a corrida só com pilotos domésticos perdeu o brilhantismo e a cor do Grande Prémio. Perdeu fôlego”, lamenta. Para Fão, os 170 milhões de patacas do orçamento desta ano serviriam melhor para “o Governo poder enfrentar qualquer tipo de ameaça relativamente à Covid”.

       

      PONTO FINAL