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      O que é ser homem nos dias de hoje? d’As Entranhas quer dar resposta à pergunta com tragicomédia

      Joana Chantre

      “Projecto d’Homens” é a mais recente peça de teatro da companhia d’As Entranhas, que será apresentada na sexta e no sábado, no Teatro da Caixa Preta do edifício do Antigo Tribunal. A responsável pelo projecto, Vera Paz, revela que o projecto, que conta com três actores de nacionalidades e línguas maternas diferentes em palco, será um espectáculo trágico-cómico que procura questionar o universo masculino nos dias hoje.

       

      A associação cultural d’As Entranhas Macau volta ao palco do Teatro da Caixa Preta do edifício do Antigo Tribunal para o seu mais recente espectáculo, “Projecto d’Homens”. Uma tragicomédia sobre o mundo, pensamentos, angústias, amores, gostos e desamores dos homens, na crise da meia idade.

      Este projecto, interpretado por três homens e dirigido por uma mulher, tem um guião assente numa dramaturgia experimental e de produção trilíngue. Jorge Vale, Kelsey Wilhem e Machi Chon são os homens que vão interpretar a peça nos seus próprios idiomas, respectivamente, em português, inglês e cantonense.

      À frente da direcção artística, dramaturgia e encenação está Vera Paz, que falou com o PONTO FINAL sobre este “Projecto d’Homens”: “É um espectáculo que foi feito primeiro em Portugal, em 2017, com um elenco português, mas, devido às restrições, não foi possível o elenco entrar no território, e então eu fiz um ‘casting’ local e o espectáculo ficou totalmente diferente, ou seja, o conceito permanece o mesmo, fazendo a mesma pergunta de ‘o que é isto de ser homem?’, porém, foi feito com os intérpretes locais a partir da realidade deles”, explica.

      O espectáculo é uma sátira trágico-cómica sobre o que é ser um homem na sociedade de hoje. Vera Paz explica que “é uma história sobre estes três homens, que têm idades diferentes e o que é que os une e os diferencia”. “Fazemos mais perguntas do que damos respostas”, refere.

      Como em todos os espectáculos da companhia d’As Entranhas, a dramaturgia do espectáculo é experimental. “Temos um guião bastante estruturado e fechado, mas, ao mesmo tempo, as cenas vão sendo estruturadas de acordo com as acções, com os universos, e as situações vão sendo delineadas, e depois é todo montado como se fosse um filme”, frisa Vera Paz.

      “O homem em si, género masculino, mamífero. O que é isto? O homem contemporâneo, o homem do seculo XX, as várias aversões, visões, leituras sobre o que é isto de ser homem, do ponto de vista das pessoas, social, os seus dramas, ansiedades, gostos, desgostos”. São estes os temas que, explica Vera Paz, constam deste “Projecto d’Homens”.

      No que diz respeito a comparações com a peça encenada em Portugal, a encenadora revela que o espectáculo de Macau tem uma mais valia em relação ao espectáculo de Portugal: o facto de ser falado nas três línguas maternas de cada actor. “Tenho um actor cantonense, um americano e um português e eles falam nas três línguas nativas, sem tradução simultânea. E penso que se entende tudo, ou depois o publico dirá. Foi uma opção minha”, assume.

      “A fronteira entre o real e a ficção aqui é ténue e, de facto, há histórias que são pessoais, outras narrativas que serão ficcionadas, mas parte muito do trabalho de cada actor e nós trabalhamos sempre nessa fronteira do trabalho individual de cada actor”, assinala.

      Esta peça de teatro, que dura 60 minutos, será apresentada em duas sessões, na sexta-feira e no sábado, ambas as sessões às 20h30. Devido às limitações de espaço, os bilhetes já estão esgotados, mas os interessados podem reservar os seus bilhetes para o caso de haver desistências.

      A encenadora portuguesa lamenta que este ano não seja possível haver mais sessões da peça. “Se conseguirmos que ele seja reposto para o ano, para mim, para os actores e para toda a equipa que esteve a trabalhar, seria muito gratificante, porque estar a trabalhar dois meses num projecto e depois fazer duas apresentações é curto, mas às vezes no teatro é frustrante”, lamenta, descrevendo: “É a arte do efémero”.

      “A Boda” é o nome do próximo projecto da companhia. “É um solo meu com participação em vídeo do elenco em Portugal, e que vai ter uma grande componente de mapeamento de vídeo e 3D. É sobre uma relação de um casal em ruínas”, aponta Vera Paz.

       

      PONTO FINAL