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      Mangais como parte importante na adaptação às mudanças climáticas

      Considerados essenciais para combater as alterações climáticas, os mangais serão tema de conversa numa palestra online promovida pela Universidade de São José. O relatório “The State of the World’s Mangroves”, publicado este ano, revela que existem cerca de 136 mil quilómetros quadrados de mangais em todo o mundo, mas reconhece que as perdas têm vindo a ser substanciais ao longo dos anos, “sendo preciso agir”, devido ao seu estado considerado “crítico”. A USJ tem um projecto para os mangais locais, que vivem tempos de grande desafio devido à poluição, que foi escolhido para um documentário da BBC.

       

      O Instituto de Ciência e Ambiente da Universidade de São José (USJ) vai promover no próximo dia 11 de Novembro, quinta-feira, pelas 17h, uma palestra pública online sobre “As Contribuições (e ‘Limitações’) dos Mangais em Programas de Adaptação e Mitigação às Mudanças Climáticas”, anunciou ontem a instituição de ensino superior em nota de imprensa.

      Moderada pela investigadora Karen Tagulao, que tem realizado um trabalho exaustivo sobre o ecossistema na realidade de Macau, liderando uma equipa com a geóloga Ágata Alveirinho Dias, a engenheira do Ambiente Cristina Calheiros e o investigador Marco Hio Wai Lao, a palestra será dada pelo ecologista e professor do Instituto de Biologia da Universidade das Filipinas, Severino Salmo III. “É parte de uma série de palestras que tenho vindo a organizar para o projecto ‘Ecossistemas de zonas húmidas como uma solução baseada na natureza para a adaptação e mitigação das mudanças climáticas em Macau’”, começou por dizer ao PONTO FINAL a professora e bióloga marinha Karen Tagulao.

      Os mangais são considerados essenciais para combater as alterações climáticas. Protegem as áreas costeiras e atenuam os efeitos da poluição. Trata-se de um ecossistema que existe em Macau e tem sido investigado pela Universidade de São José, num projecto que tem uma componente pedagógica e foi escolhido para figurar num documentário produzido pelo canal britânico BBC, em 2020. Existente no estuário do Rio das Pérolas, encontra-se ameaçado pela poluição que tem resultado desenvolvimento industrial, principalmente do Sul da China.

      “Esta palestra deve dar uma visão do importante papel dos mangais para a adaptação e mitigação das mudanças climáticas. Esperamos obter mais informações sobre os mangais através dos estudos de caso e investigações do palestrante que, esperançosamente, podem ser adaptados para Macau. Temos feito o nosso próprio trabalho nos mangais locais, mas aprender com cientistas experientes nessa área certamente ajudará. Por se tratar de uma palestra pública, aberta a todos, esperamos promover ainda mais o valor dos mangais a fim de aumentar a consciencialização, bem como incentivar as pessoas a realizarem acções positivas”, afirmou a investigadora filipina da USJ.

      No entanto, a eficácia dos mangais depende da sua extensão e do estado geral do ecossistema. Quando considerados “saudáveis”, em oposição a “degradados”, espera-se que os mangais tenham, de facto, um papel positivo no meio-ambiente. As florestas de mangal são um ecossistema costeiro que existe em regiões tropicais e subtropicais que proporcionam um habitat perfeito para aves migratórias.

       

      Florestas de mangal preocupam

       

      O mais recente relatório “The State of the World’s Mangroves”, publicado este ano, revela que existem cerca de 136 mil quilómetros quadrados de mangais em todo o mundo, mas reconhece que as perdas de mangais têm vindo a ser substanciais ao longo dos anos, “sendo preciso agir”, devido ao seu estado considerado “crítico”. “Há uma necessidade urgente de se preservar todos os mangais remanescentes, para melhorar a sua recuperação e restaurar áreas devastadas. Tais acções contribuirão para apoiar comunidades costeiras, empregos e segurança alimentar, além de proporcionar benefícios globais de atenuação do clima. Os governos precisam transformar a gestão dos mangais em política, planeamento e legislação, permitindo o uso local e interrompendo subsídios prejudiciais”, refere o relatório.

      O mesmo relatório refere ainda que “a comunidade internacional precisa promover a adopção e a ampliação de soluções baseadas na natureza que valorizem os mangais”. “O sector privado precisa reconhecer os mangais como activos e aumentar os investimentos em protecção e recuperação. As ONGs e grupos de defesa precisam aumentar a consciencialização e estimular o financiamento e a protecção, enquanto que a comunidade académica e de investigação deve priorizar o apoio a esses esforços com dados, modelos e ferramentas.”

      Severino Salmo III é doutorado em Ciências Biológicas pela Universidade de Queensland, na Austrália e pós-doutorado pela Universidade de Ryukyus, em Okinawa, no Japão. A sua investigação está focada principalmente em biologia, ecologia, conservação, biodiversidade, dinâmica de sedimentos, níveis de carbono, mudanças climáticas (principalmente relacionadas com o aumento do nível do mar), planeamento ambiental, gestão de mangais, entre outras áreas. Tem uma série de publicações nesta área e é actualmente editor associado da revista Frontiers in Marine Science (Global Change and the Future Ocean).

       

      PONTO FINAL

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