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      Lanternas do coelhinho branco regressam amanhã, mas sem festa

      Joana Chantre

       

      “Ter atitude” é, segundo o arquitecto Carlos Marreiros, a essência para a criação das lanternas do coelhinho branco, que vão estar expostas a partir e amanhã, no Albergue da Santa Casa da Misericórdia. Este ano, devido às restrições provocadas pela pandemia, não se vai realizar a habitual festa de inauguração.

       

      As lanternas do coelhinho branco voltam a estar em exposição a partir de amanhã e até ao dia 20 de Novembro. A 16.ª edição da iniciativa de Carlos Marreiros vai mostrar 18 criações no espaço D1, no Albergue da Santa Casa da Misericórdia.

      Esta exposição, que tem vindo a ser organizada desde 2009. Ao todo, foram  mostradas ao longo dos anos cerca de 200 das tradicionais lanternas criadas por artistas de todo o mundo. O objectivo, indicou Carlos Marreiros ao PONTO FINAL, tem sido “dignificar Macau”. As peças simbolizam “o convívio de culturas, das sensibilidades e das etnias”. Em 2016, recorde-se, a exposição foi apresentada em Portugal. Ao longo destes 16 anos de exposições, tem havido mais de 50 artistas, de todo o mundo, aponta Marreiros. “Vêm da Ásia e da Europa, principalmente. África talvez seja o único continente que ainda não temos”, assinala.

      Este ano será a 16.ª edição da iniciativa e serão apresentadas 18 novas lanternas do coelhinho branco, desenhadas por 17 artistas, entre eles o criador do projecto, Carlos Marreiros. Serão apresentadas peças de artistas de Macau, Portugal, Itália e Filipinas.

      “Normalmente, neste período do ano, já deveria ter inaugurado [a exposição] durante as festividades do Bolo Lunar, a 21 de Setembro”, começa por explicar Carlos Marreiros, lembrando que, habitualmente, “a tradição envolve sempre uma grande festa com celebração da lua, um encontro de culturas, pois esta é uma festividade tradicional chinesa, muito querida em Macau”.

      O arquitecto aponta que desde a infância se recorda das várias comunidades, nomeadamente portugueses, macaenses e africanos, a participarem na festa do Bolo Lunar, no Albergue, com música portuguesa, chinesa, jazz, e até música internacional, a par das comidas tradicionais locais para esta festividade. “Portanto é um verdadeiro encontro de comunidades, festividades e culturas”, destaca o arquitecto, lembrando que “sempre foi bonito, aquilo iluminado com lanternas”.

      Este ano, devido à pandemia, as festividades foram adiadas. A festa acabou mesmo por ser cancelada, mas a exposição das lanternas mantém-se. As peças, explica o arquitecto, vão ser expostas todas no espaço D1 do Albergue, que é coberto, sendo que algumas obras vão ficar no exterior. “Não vamos ter um corte de fita formal, porque isso normalmente traz muita gente”, reforça.

      O arquitecto explica que cada edição começa pela escolha dos artistas que quer convidar. “Também convido designers, não apenas artistas plásticos, temos arquitectos, engenheiros, professores universitários, escritores, como por exemplo o José Luís Peixoto que participou recentemente”, frisa, acrescentando: “Temos também um general, dois médicos, portanto há um pouco de tudo”.

      Carlos Marreiros realça que, com este projecto das lanternas, o mais importante é mostrar ao público que, para fazer arte, “é preciso ter atitude”. “Fazer uma lanterna não precisa de ser nada do outro mundo, é uma coisa simples, que as pessoas gostam de ver pois a lanterna aparece em todas as culturas. Basta ver as lanternas de papel que aparecem nas festas dos santos populares, em Alfama, em tantas outras terras e países do mundo”, nota. “Esta coisa de trazer luz nas mãos das crianças é quase como trazer um bocado de sol e um bocado da lua para perto de nós, é uma tradição de que todos podem usufruir”, realça, concluindo que esta “é a prova de que há lanternas lindíssimas”.

      Os outros artistas envolvidos este ano são, para além de Carlos Marreiros, Alfredo Ceynas, André Lui Chak Keong, Bernardo Amorim, Cai Guo Jei, Eric Fok, Eva Mok, Graça Pacheco Jorge, Ieong Man Pan, James Chu, Lili Silverinha, Manuel S. Leong, Pedro Barreiros, Sisi Wong, Ugo Re, Wilson Chi-Ian Lam e Wong Weng Io.

       

      PONTO FINAL