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      Início Sociedade “Amo as Filipinas, mas não amo Duterte”  

      “Amo as Filipinas, mas não amo Duterte”  

      Settawat Qui tem sido um dos “rostos” críticos de Duterte em Macau e, agora, um dos apoiantes de Leni Robredo às eleições presidenciais de 2022. Para o filipino, a comunidade está agora mais unida em torno de um futuro melhor para as Filipinas, mesmo que à distância do país que o viu nascer.

       

      A actual vice-presidente das Filipinas, Leni Robredo entrou em rota de colisão com Rodrigo Duterte, o presidente do país. Como este, constitucionalmente, não pode tentar uma reeleição, Leni assumiu no início de Outubro que é candidata. Em Macau, um grupo de filipinos liderado por Settawat Qui tem realizado pequenas manifestações pacíficas de apoio à candidatada “rosa choque”.

      Numa breve conversa com o PONTO FINAL, Settawat explicou que os compatriotas estão agora mais alerta e conscientes para os problemas do país. Desde 2016 que decidiu ser uma minúscula pedra no sapato de Duterte, aproveitando as redes sociais para criticar as políticas do ainda presidente, principalmente em questões de combate à droga e corrupção. Fá-lo de rosto tapado com uma máscara do filme V de Vendetta, também utilizada pelo grupo Anonymous. “Comecei sozinho em 2016. Depois, em 2020, outras se juntaram a mim. Acabo por ser, naturalmente um líder porque sou o mais activo como crítico do nosso presidente. Amo as Filipinas, mas não amo Duterte. E critico-o precisamente porque amo o meu país. Duterte não é as Filipinas”, começou por dizer ao nosso jornal.

      O filipino lembrou que por causa da pandemia nas Filipinas, muitos estão a sofrer e quem está na diáspora tem um papel a desempenhar, que é o de não se calar. “Muitos não têm o que comer porque perderam seus os empregos. Esta pandemia está a fustigar o nosso país e o nosso Governo não consegue combater a corrupção. Duterte tem sido um protector dos envolvidos nesse tipo de crimes”, acusa Settawat que explica que o uso de máscara não é apenas “uma imagem de marca” desde que se tornou crítico acérrimo de Duterte, mas também uma salvaguarda da sua vida, pois muitos críticos do presidente “têm sido detidos e presos”, outros sofrem de “bullying e assédio”.

      “Não tenho medo, mas com esta máscara posso estar mais confiante e já todos me reconhecem como crítico do Governo filipino com esta indumentária, por isso, será assim que vou continuar”, acrescentou.

      Dentro das iniciativas que Settawat Qui e os restantes apoiantes de Leni Robredo têm realizado à ainda vice-presidente do país está um passeio de bicicleta por Macau e uma manifestação nocturna pacífica nas Ruínas de São Paulo que acabou por ter alguns momentos de fricção, uma vez que por ali passaram compatriotas que são apoiantes da oposição e acabaram por “mandar umas bocas” aos que ali, “pacificamente”, demostravam apoio a Leni Robredo. “A política nas Filipinas é realmente quente e pode ser comparada a água a ferver, onde qualquer um se pode queimar verdadeiramente. Porque os apoiantes de outro campo partidário fervem em pouca água”, explicou o filipino.

      O filipino confessou ao PONTO FINAL que, desde que assumiu, juntamente com outros filipinos, o apoio a Leni Robredo que “têm recebido muitos insultos e ameaças” de um grupo de compatriotas que apoia um outro candidato, Ferdinand “Bongbong” Marcos, filho do ex-ditador Ferdinand Marcos, que governou as Filipinas entre 1965 e 1989. “Eles não aceitam o facto de que muitos filipinos aqui em Macau apoiam a nossa vice-presidente, então é assim que nos intimidam e, repare, intimidam o tempo todo”, desabafou Settawat Qui.

      “Eu, por exemplo, desde que comecei a criticar o actual presidente do país, recebi várias ameaças, calúnias, insultos de compatriotas que adoram Duterte. Alguns afirmam que vão deportar-me, entregar-me à polícia ou então que me vão espancar no Largo do Senado ou onde quer que me vejam”, acrescentou.

      Settawat quer apenas paz e liberdade de escolha. Para ele, todos têm o direito à liberdade de escolherem o seu presidente, seja de que cor for, seja de quem partido for. E isso, reitera, “tem de ser claramente respeitado”. “Queremos apenas transmitir a ideia democrática que todos os filipinos têm o direito de escolha, porque esse é um direito, mas esta gente não entende quais são os seus direitos enquanto cidadãos”, notou o filipino, radicado em Macau desde 2010, apesar de ter estado por cá, pela primeira vez, em 2004.

      Ferdinand “Bongbong” Marcos não é opção para Settawat, não só porque é uma volta ao passado, mas porque é o filho de um ditador, “que foi deposto pelos filipinos por abuso de poder e desrespeito pelos direitos humanos”. “Acredito, ou melhor, acreditamos que Leni Robredo é a única em quem podemos confiar para governar o país, porque ela não está envolvida em esquemas de corrupção”.

      Robredo enfrentará pelo menos quatro outros candidatos que oficializaram a corrida, incluindo Ferdinand “Bongbong” Marcos, a quem Robredo venceu por uma pequena margem na disputa pela vice-presidência de 2016. A filha de Duterte, Sara Duterte-Carpio, indicada como sucessora do pai, voltou a reafirmar que pretende permanecer como presidente do município da cidade de Davao. Os candidatos têm até o dia 8 de Outubro para apresentar uma inscrição. Para além de “Bongbong”, estão na luta o ex-campeão de boxe Manny Pacquiao e o presidente da câmara municipal de Manila, Francisco Domagoso.

       

      PONTO FINAL