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      Macau assinala 50 anos da restauração do assento legal da China na ONU  

      Seminário promovido pelo Governo de Macau e pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China na RAEM serviu para diversos sectores e organismos da sociedade civil revelarem o que tem sido feito nos últimos anos. Representante da ONU no território promete cooperação contínua.

       

      Vincar a posição de plataforma é o que Macau deve continuar a fazer, referiu ontem o secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, durante um seminário que visou assinalar o 50.º aniversário da restauração do assento legal da República Popular da China na Organização das Nações Unidas (ONU).

      Intitulado “Novas Oportunidades para Macau e Novas Acções”, o evento teve a intervenção de diversas personalidades da sociedade civil de Macau, bem como de especialistas e académicos, altos cargos da representação do Governo Central no território e ainda da ONU.

      André Cheong foi o primeiro a discursar, tendo vincado esse posicionamento estratégico de Macau, não só no seio da lusofonia, como tem sido apanágio, mas no mundo inteiro, assumindo maior destaque nas relações internacionais. “Acredita-se que nesta nova fase histórica, Macau irá desempenhar um papel ainda mais activo na interacção entre a China e o mundo, assim como concretizar durante este processo um maior nível do seu próprio desenvolvimento”, referiu o responsável do Governo local.

      O secretário para a Administração e Justiça não esqueceu a pandemia de Covid-19 que tem, em parte, paralisado o mundo nos últimos dois anos, e assume que daqui para a frente tudo o que se relaciona é um desafio. “A epidemia do novo tipo de coronavírus que continua a fustigar o mundo com desafios ao desenvolvimento das relações entre Macau, ONU e outros países. Enquanto um centro, uma plataforma e uma base, Macau tem uma economia orientada para o exterior. A construção de Macau está estreitamente associada aos factores do domínio externo torna-se necessário estudar e explorar dinamicamente as novas reformas e métodos de desenvolver as relações externas no decurso da pandemia e delinear previamente, com perspectivas a longo prazo, a forma de racionalizar os recursos externos na era pós-pandemia, com vista a fomentar a recuperação económica da RAEM e o seu desenvolvimento a longo prazo”.

      André Cheong destacou ainda que “os resultados obtidos e já referidos revelam plenamente as vantagens que comportam o regime ‘Um País, Dois Sistemas’, devendo-se estes ao grande apoio prestado pelo Governo Central e o Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros, bem como aos diligentes esforços envidados pelos serviços públicos competentes da RAEM e a generalidade dos grupos associativos locais”.

      O comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China na RAEM, Liu Xianfa, deixou um elogio rasgado ao trabalho desenvolvido pela região administrativa especial, considerando que, de facto, o território poderá começar a ter um papel mais destacado no xadrez internacional. “Com os trabalhos e esforços envidados, Macau marcou um grande impacto no palco internacional, contribuindo para a diplomacia geral da China. Actualmente, Macau está a promover uma plataforma, uma base e um centro. E para implementar o plano geral da zona de cooperação de aprofundamento entre Hengqin e Zhuhai, marca um arranque importante para o desenvolvimento socioeconómico de Macau”, considerou o diplomata.

      Liu Xianfa deseja ainda que se reúnam “todos os esforços e forças para assim trazer tudo de melhor para a área da humanidade, sociedade, e também a nível regional seguir plenamente o regime de ‘Um País, Dois Sistemas’”.

      Tanto André Cheong como Liu Xianfa citaram o discurso de Xi Jinping, no passado dia 25 de Outubro, onde o presidente da China indicou que o país está num novo ponto de partida histórico. “A China persistirá em trilhar um caminho de desenvolvimento pacífico, de abertura e de multilateralismo, afirmando-se sempre como construtora da paz mundial, contribuidora para o desenvolvimento global e defensora da ordem internacional. Acredita-se que nesta nova fase histórica, Macau irá desempenhar um papel ainda mais activo na interacção entre a China e o mundo, assim como concretizar, durante este processo, um maior nível do seu próprio desenvolvimento”, disse.

       

      Pelo multilateralismo e pelo multiculturalismo

      A responsável da ONU no território também deixou palavras de esperança para o futuro. Para Jingbo Huang “a China é reconhecida como o único representante para a ONU” e “com a abertura e reforma do país desde 1971, a China contribuiu em cerca de 70% nos trabalhos da ONU”, desempenhando, entre variados trabalhos, um “papel muito importante no Banco Mundial e no combate à pobreza”.

      A directora do Instituto em Macau da Universidade das Nações Unidas desejou ainda que, nos próximos cinco anos, “Macau possa prosseguir os seus trabalhos de forma sistemática, criando novas oportunidades, especialmente entre o território e outras regiões”. “Macau é uma ponte que ligação às Nações Unidas, nomeadamente em questões de multilateralismo e multiculturalismo. Ao mesmo tempo, o território aposta forte nas novas tecnologias e na inteligência artificial”, afirmou Jingbo Huang.

      A responsável agradeceu o apoio que a China e Macau têm prestado aos estudos realizados pelo Instituto da ONU e prometeu estar “sempre pronta” para cooperar com as autoridades: “É certo que a ONU irá continuar a envidar esforços para criar condições prósperas de cooperação, no âmbito do desenvolvimento de Macau”.

      Recorde-se que a 25 de Outubro de 1971, a 26.ª Assembleia Geral da ONU aprovou, por maioria esmagadora, a Resolução n.º 2758, que determinou a restauração de todos os direitos da República Popular da China na ONU, reconhecendo que o representante do Governo da RPC é o único representante legal da China perante a ONU.

      Paralelamente, para Macau, a restauração do assento legal da China na ONU reveste-se também de grande importância. Em Março de 1972, o representante permanente da China junto da ONU enviou uma carta ao presidente da Comissão Especial de Descolonização da ONU, afirmando que “a resolução da questão de Hong Kong e Macau insere-se absolutamente no âmbito da soberania chinesa” e exigindo que Hong Kong e Macau fossem retirados da lista de colónias. Em Novembro do mesmo ano, a Assembleia Geral da ONU aprovou a resolução relacionada. Desde então, o Pequim preparou e formou, gradualmente, a orientação de “um país, dois sistemas”, abrindo caminho para a resolução final sem sobressaltos na questão de Macau com Portugal.

       

      PONTO FINAL