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      Novo estudo da Universidade de Macau traz esperança na luta contra o cancro  

      Uma investigação da Universidade de Macau (UM), liderada pela cientista Kathy Luo Qian, pode ajudar a desenvolver novas terapias anti-metástases no combate à doença. A equipa descobriu que proteínas, detectadas em níveis elevados em amostras de tumor de pacientes com cancro da mama e do pulmão, podem servir como novos biomarcadores para detectar e direccionar células tumorais circulantes. A nova descoberta foi publicada na revista Science Advances.

       

      Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências da Saúde (FHS) da Universidade de Macau (UM), liderada pela professora Kathy Luo Qian, descobriu que as células tumorais podem produzir mais proteínas desmocolina-2 (DSC2) e plakofilina-1 (PKP1) que ajudam na formação de aglomerados de células no sistema circulatório, de modo a que as células tumorais circulantes possam sobreviver na corrente sanguínea e ter uma capacidade metastática mais forte.

      A nova descoberta, publicada na revista Science Advances, fornece novos conhecimentos sobre como as células tumorais circulantes sobrevivem no sistema circulatório, o que pode ajudar a desenvolver novas terapias anti-metástases.

      De acordo com a investigação, “quando as células tumorais entram na corrente sanguínea, a maioria delas morre na circulação e, se as que sobrevivem podem formar metástases, farão com que mais de 90% dos pacientes com cancro morram”. Portanto, investigar profundamente como as células tumorais sobrevivem na circulação sanguínea e formam metástases é essencial para o desenvolvimento de novas terapias antimetástases, defende a equipa liderada por Kathy Luo Qian.

      No estudo, os investigadores da UM desenvolveram um sistema de circulação microfluídica para isolar as células de cancro da mama e do pulmão que poderiam resistir ao stress de cisalhamento de fluido. Os cientistas descobriram que essas células resistentes ao cisalhamento mostraram maior capacidade de formar aglomerados, de sobreviver na circulação e de formar metástases em camundongos.

      Ao mesmo tempo, a investigação revelou que essas células resistentes ao stress de cisalhamento “expressavam entre quatro e cinco vezes mais proteínas DSC2 e PKP1”. Análises adicionais mostraram, ainda, que a alta expressão de DSC2 e PKP1 não apenas facilitou as células cancerígenas a formarem aglomerados em circulação, como também activaram a via mediada por PI3K / AKT / Bcl-2 para aumentar a sobrevivência celular.

      Altos níveis de DSC2 e PKP1 também são importantes para manter um alto nível de expressão de vimentina, que estimula a metástase mediada por fibronectina integrina β1/FAK/Src/MEK/ERK/ZEB1, pode ler-se no estudo. Além disso, níveis mais elevados de DSC2 e PKP1 foram detectados em amostras de tumor de pacientes com cancro da mama e do pulmão, e sua alta expressão foi correlacionada com menor taxa de sobrevida global e pior prognóstico da doença. Por esta razão, concluem os cientistas, “DSC2 e PKP1 podem servir como novos biomarcadores para detectar e direccionar células tumorais circulantes metastáticas”.

      Para além de Kathy Luo Qian, que é autora correspondente deste estudo, o seu aluno de doutoramento Li Koukou assina, à cabeça, a investigação. Três outros alunos de doutoramento Wu Renfei, Zhou Muya e Tong Haibo, também deram contribuições importantes para a investigação, cujo texto completo pode ser visto consultado em https://www.science.org/doi/10.1126/sciadv.abg7265.

      Tratou-se de um projecto apoiado pelo fundo de pesquisa da UM e pelo Centro de Ciências para Oncologia de Precisão do Ministério da Educação da Universidade de Macau.

       

      PONTO FINAL