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      Salão de Outono revela “colheita do ano” com arte mais diversificada e menos comercializável

       

      É inaugurada no sábado a exposição deste ano do Salão de Outono, organizado pela Art For All Society (AFA). A iniciativa vai mostrar as obras de 78 obras de artistas de Macau. Alice Kok, curadora da exposição, explicou ao PONTO FINAL que o objectivo foi diversificar mais o portefólio do Salão de Outono, incluindo arte conceptual e menos comercializável.

       

      Joana Chantre

       

      O Salão de Outono, da Art For All Society (AFA), é inaugurado este sábado, na Fundação Oriente, pelas 17h30. A exposição estará aberta a partir de domingo e mantém-se disponível até ao dia 28 de Novembro. A AFA quer, através da iniciativa, alcançar o objectivo de desenvolver a arte contemporânea de Macau e proporcionar a criação de arte.

      Alice Kok, curadora do evento e também presidente da AFA, contou ao PONTO FINAL: “Desde que o Governo anunciou que tudo estava a ser reaberto e que os eventos poderiam prosseguir, pudemos confirmar que íamos em frente com a exposição”. “A ideia, como todos os anos, é sermos como um salão com arte e troca de ideias, que é um conceito inspirado na sociedade de arte francesa de há mais de 100 anos – a ideia vem daí”, explicou a curadora.

      O nome “Salão de Outono” aponta para a recolha da produção de arte que os artistas fizeram durante o ano, como se fosse uma “época de colheita”. “Assim, todos os anos fazemos isto no Outono e fazemos uma chamada aberta a todos os artistas que estão a viver e a trabalhar em Macau”, lembrou Alice Kok.

      O processo, explicou a artista, começa com uma chamada aberta aos artistas interessados, que farão a sua candidatura, e que depois será avaliada pela organização. “A ideia é mostrar quais são as últimas produções na cena artística de Macau, por isso nunca impomos um tema. Todos os artistas podem ter obras diferentes, mas a ideia é mostrar as mais actualizadas e as melhores”, indicou.

      A chamada aos artistas começou em Junho, tendo como data limite o final de Agosto. A “colheita” rendeu 130 candidaturas, com apenas 78 a serem seleccionadas para serem exibidas. De entre os artistas que vão participar na mostra deste ano estão: Alexandre Marreiros, Fan Sai Cheong, Francisco Ricarte, Kit Lee, Luna Cheong, Sit Ka Kit, Un Sio San, Yung Lai Jing e a própria Alice Kok, por exemplo.

       

      TRABALHOS DE GRANDE ESCALA AUMENTAM

       

      Relativamente aos trabalhos apresentados, Alice Kok assinalou que este ano foram recebidas muitas obras de grande dimensão. “Achei também muito interessante notar que este ano temos muitos artistas em ascensão que, apesar de serem jovens, já são bastante maduros no seu trabalho. Ao mesmo tempo, temos muitos artistas recentes na cena já muito criativos e com novas inspirações”, acrescentou, sublinhando: “Estou muito feliz por este ano termos muitos trabalhos a encher as paredes da galeria, por serem bastante grandes”.

      “No que diz respeito ao tipo de arte, as pinturas ainda são as mais apresentadas, mas também temos muitos trabalhos de videoarte, animação e também fotografia e instalação”, assinalou. Na cerimónia de inauguração, no sábado, vai ser apresentada uma peça de arte performativa, tal como no ano passado, revelou Alice Kok. “Um dos artistas vai fazer uma performance que está incluída na sua instalação, pelo que será muito interessante, uma vez que também vamos ter um concerto, como de costume” disse.

      Questionada sobre o futuro do AFA, Kok apontou que pretende dar mais relevo à variedade na arte: “Tentaremos ter uma maior variedade de formas artísticas a participar. Penso que é de grande importância, porque a variedade é uma das principais características da arte contemporânea e não apenas o meio mais tradicional, como a pintura e o desenho e a fotografia. Assim, vamos tentar ter mais instalações, num sentido mais contemporâneo”, apontou.

      “Na verdade, foi isto que tentei fazer este ano, porém, isto gera sempre um debate porque, por exemplo, no caso da arte conceptual, no nosso Salão, tradicionalmente, gostamos sempre de incentivar a venda ou a comercialização dos trabalhos, porque sabemos que os coleccionadores gostam de vir ver a colheita do ano. Esperamos sempre que possam comprar algumas das obras de arte, mas, no caso das artes conceptuais, estas são sempre menos comercializáveis”.

      Não obstante, a curadora admite que, apesar da arte conceptual não ser tão comercializável, é muito importante incluí-la sempre no Salão. “Penso que as formas de arte também envolvem arte contemporânea nesta fase de processo e, usando por exemplo o caso de Duchamp [pintor francês], quando participou no Salão de Outono original há 100 anos, apresentou algo que foi bastante controverso e, como sabemos, Duchamp é o pai da arte contemporânea. Hoje, 100 anos depois, ainda não estamos muito receptivos a aceitar ideias como uma forma de arte, pelo menos na vertente comercial”, reiterou, acrescentando: “Pessoalmente, gostaria de empurrar mais este lado artístico e fazer chegar às pessoas que as ideias também podem ser uma forma de arte e não apenas as pinturas ou fotografia. E, claro, as ideias assumem também diferentes formas, não é apenas o pensamento, mas como traduzimos esse pensamento numa obra de arte, penso que este é um debate muito interessante para ser feito no Salão de Outono em Macau”.

      Alice Kok aproveitou para acrescentar que gostaria de proporcionar um espaço onde o artista e o público possam ter discussões sobre o que é arte e o que podem ser as formas de arte.

      Questionada sobre qual, para si, foi o maior artista a expor os seus trabalhos no Salão de Outono, Alice Kok responde: “Com certeza, Eric Fok”. Erik Fok tem, actualmente, obras suas expostas na galeria da AFA. “O seu trabalho está a vender muito bem e, ao mesmo tempo, o seu conteúdo artístico também corresponde à sua ideologia. Quando vejo um artista como ele a singrar, faz me sentir que a AFA valeu todo o nosso trabalho durante estes anos”, concluiu.

       

      PONTO FINAL