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      InícioEconomiaAssociação de hotéis questiona política de zero casos imposta pelo Governo

      Associação de hotéis questiona política de zero casos imposta pelo Governo

      A Semana Dourada ficou este ano muito aquém das expectativas, registando-se uma quebra de 93,9% em relação a 2020. Ao PONTO FINAL, o presidente da Associação de Hotéis de Macau, Rutger Verschuren expressou a sua preocupação em relação à sustentabilidade da política dos zero casos no território e o eventual impacto para o sector.

      A Semana Dourada deste ano concluiu-se sem grande ‘glamour’, com um tufão nº.8 e a descoberta de mais dois casos de infecção de covid-19 na comunidade, afectando sobremaneira a vinda de turistas ao território. De acordo com o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), os feriados de 1 a 8 de Outubro acolheram em média um número diário de visitantes de 1.166, representando uma quebra de 93,9% em relação a 2020.

      “Penso que estes números reflectem a situação de momento”, começou por dizer Rutger Verschuren, presidente da Associação de Hotéis de Macau, em conversa ao PONTO FINAL. “Neste momento há muito desânimo visto que não está fácil para os do continente visitarem Macau, mesmo para os que continuam a poder voar para cá, sente-se que há uma certa perseguição, com as certificações se fizeram ou não o teste [de ácido nucleico], e no regresso são submetidos a várias perguntas. É capaz de haver uma certa estigmatização ao viajar para Macau”, apontou.

      O neerlandês radicado em Macau menciona que depois das restrições impostas por Zhuhai serem também implementadas por Pequim tornou-se “numa grande chatice” e acaba por criar uma certa reputação para Macau neste momento. “Não sei como estas notícias se vão espalhar, se se começa a pensar que viajar para Macau está associado à covid, então parece-me que isso não é bom a longo prazo”, alerta.

      Questionado acerca da sua opinião acerca desta contínua política do território de zelar pelos ‘zero casos’, o responsável ligado ao sector hoteleiro refere que é difícil opinar, pois se realmente há uma necessidade de nos agarrarmos à política dos zero casos, então sim, o que se está a fazer é a acção certa. Porém, considera ser muito discutível a sustentabilidade deste plano. “Durante quanto tempo podemos continuar com esta abordagem?”, questionou. “A verdade é que o resto do mundo já está a viver com uma certa normalidade, aceitando que sempre haverá casos. No que nos diz respeito, será que isso significa que teremos sempre de fechar as fronteiras para eles que estão de fora ou ter para sempre de lhes impor uma quarentena? Isso não é exequível nem realista”, sublinha.

      Rutger diz que espera que o Governo, mais cedo ou mais tarde, recuse esta abordagem, salientando, porém, que as restrições do Executivo são compreensíveis visto que ainda não foi alcançada a taxa de vacinação esperada. “Penso que estamos no caminho certo para estarmos melhor preparados em caso de haver um novo caso”, aponta, recordando o discurso do primeiro-ministro de Singapura no sábado, que achou bastante pertinente. “Ele falou sobre a abordagem do seu país nas notícias relembrando que por terem altas taxas de vacinação podiam largar a política dos zero casos, que não é exequível. Referiu também que obviamente as pessoas ainda ficariam doentes, mas que será uma questão de ficar em casa, e a infecção será apenas como uma gripe normal”, acrescentou.

       

      Necessidade de atingir as metas da taxa de vacinação

      Em relação às implicações para os hotéis durante a “semana pouco dourada”, Rutger lamenta a falta de receitas, apesar das baixas tarifas. “Muitos hotéis poderiam ainda encher-se de ‘bluecards’ à procura de um quarto, as tarifas agora estão extremamente baixas, mas não havia turistas e nem qualquer receita de F&B. Apesar de os hotéis darem descontos a esses hóspedes, eles não têm qualquer intenção de comer nos restaurantes dos nossos hotéis pois querem apenas pernoitar”.

      Do ponto de vista empresarial, Verschuren indica que o muito esperado último trimestre do ano é sempre de grande expectativa para a associação hoteleira, mas o optimismo não é o melhor neste momento. “A Semana Dourada deu um pontapé de saída com um péssimo começo. Normalmente, no último trimestre do ano as coisas deveriam correr melhor, mas ainda não está a melhorar”, lamenta.

      O presidente da Associação de Hotéis de Macau adianta também que o próprio e os membros da associação estão a ficar preocupados com Novembro, nomeadamente com o Grande Prémio de Macau. “Embora o Chefe do Executivo tenha dito que apoia muito que o Grande Prémio aconteça, temos de esperar para ver, porque quem sabe se existirá uma situação como a da semana passada”, alerta.

      Relativamente a como correu a logística durante o tufão, nomeadamente com a implementação das novas diretrizes impostas pelo Governo nos hotéis de quarentena, Rutger Verschuren refere que o ‘staff’ abrangente das novas medidas teve de ficar no hotel de qualquer modo, e que outros empregados residentes que não podem voltar a Zhuhai tiveram direito a um alojamento no hotel. “Tem sido um pouco stressante para o pessoal, a incerteza de não saber quanto tempo isto tudo vai durar, ou até o que se segue. É duro”, referiu.

      A notícia das novas medidas impostas por Pequim, nomeadamente a imposição de quarentena para as pessoas vindas de Macau, apanharam o holandês de surpresa. “Quando soubemos disso, a primeira coisa que pensámos foi que talvez houvesse mais casos de infectados do que já sabemos em Macau, porque temos de nos questionar porque é que esta reacção é tão forte, e veio realmente inesperada. E embora possamos compreender que há algum medo, agora ficamos a pensar que outras cidades no continente poderão fazer a mesma coisa. Curiosamente, tivemos alguns convidados que vieram a Macau e passaram pela quarentena para depois seguirem para Pequim, e agora isto acontece e já há quem até quem comece a perguntar o mesmo sobre Xangai”, concluiu.