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      Dvořák, o compositor da Boémia que se deixou seduzir pelas melodias africanas

      O amante de ópera Shee Va vai ser o orador de mais uma sessão de “Efemérides na Ópera”, na Fundação Rui Cunha, desta vez com o tema “Rusalka”, de Antónin Dvořák. O compositor checo destacou-se no seu país por ter sido o primeiro músico local a atingir reconhecimento internacional.

      A Fundação Rui Cunha apresenta esta quinta-feira, pelas 18h30, a décima sessão do ciclo de conversas ilustradas com música sob o título “Efemérides na Ópera: Rusalka”, de Antonín Dvořák, por ocasião do 180.º aniversário do compositor checo que aqui será recordado por Shee Va, contando ainda com a participação de Radka Navarova e Joaquim Ramos, como convidados.

      Antonín Dvořák nasceu a 8 de Setembro de 1841 e foi o primeiro compositor da região da Boémia a obter reconhecimento internacional. Segundo é referido no comunicado de imprensa da Fundação Rui Cunha, a música de Dvořák caracteriza-se por uma sábia e elaborada incorporação do folclore popular na tradição sinfónica do ocidente, conferindo uma nova dimensão à música do Romantismo do séc. XIX.  A sua estadia em Nova Iorque, a convite de Jeannete Thurber, fundadora do Conservatório Nacional de Música da América, teve como objectivo prestigiar a instituição e livrar a música americana da influência europeia.

      Para o efeito, Dvořák utilizou a sua “sedução pelas melodias africanas” para imbuir “qualidades excepcionais” à música que aí compôs. São disso exemplo o Quarteto Americano e a incontornável IX Sinfonia em mi menor, Op. 95, conhecida por Sinfonia do Novo Mundo.

      Regressado à terra natal, Dvořák dedicou-se à composição de óperas por achar que este género musical era superlativo. No entanto, as suas primeiras óperas não tiveram o sucesso pretendido. Possivelmente, por uma ligação pessoal à história de “Rusalka”, esta obra acabou por colocá-lo entre os primeiros no mundo da lírica. É a sua nona e mais bem-sucedida ópera, dotada de uma música “sensual e misteriosa” que serve na perfeição o enredo do mundo das ninfas do rio.

      “Dvořák foi um compositor da República Checa e foi dos primeiros a ser reconhecidos internacionalmente”, começou por explicar Shee Va ao PONTO FINAL. “Ele acabou por ir trabalhar para os Estados Unidos a convite de uma milionária para realmente fazer uma música americana e deixar um bocado as raízes da Europa, para ter uma música que se pudesse chamar de americana”, acrescentou o médico de profissão.

      “Ele conseguiu fazer isso porque foi ‘beber’ à fonte das músicas africanas, nomeadamente dos escravos, com os coros africanos, e realmente compôs muita música, tanto que o primeiro quarteto que ele compôs, que é o chamado quarteto americano, tem muita música de influência afro americana”, assinala.

      A mais conhecida sinfonia de Dvorak, que é a sinfonia do Novo Mundo, incorpora muita música folclórica checa da Boémia, mostrando muito o seu nacionalismo. “Por isso mesmo é que tive a ideia de convidar a Radka, que é checa, para falar um pouco acerca do seu percurso. É basicamente de Dvorak que nós vamos falar e o Joaquim Ramos vai ilustrar a conversa com algumas das músicas que ele escolheu”, conclui Shee Va.

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