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      Início Economia Salários em patacas para os trabalhadores de Macau, mas consumo em renminbis

      Salários em patacas para os trabalhadores de Macau, mas consumo em renminbis

      Na segunda ronda de esclarecimentos sobre Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, o Governo admitiu que o consumo “tem de ser feito em renmimbi”, apesar dos salários dos trabalhadores de Macau serem pagos em patacas. Bolsa de valores continua em ‘águas de bacalhau’, sendo que a aposta vai claramente para a “livre circulação de pessoas, capitais e mercadorias”.

      O Executivo de Macau esclareceu ontem, durante a apresentação sectorial do projecto para a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, que os trabalhadores de Macau que para lá forem deslocados serão pagos em patacas, mas o consumo na ilha continuará a ser feito em renminbis, o que em nada beneficia os locais. “Os futuros funcionários públicos do território destacados para trabalharem no ‘Novo Bairro de Macau’ vão receber, naturalmente, o salário em patacas, mas o consumo tem de ser feito em renmimbi”, afirmou o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong.

      O responsável procurou desmistificar a questão, assumindo que nada é ainda definitivo, uma vez que o plano carece de uma palavra final do Governo Central. Lei Wai Nong disse ainda que a nova zona de 106 quilómetros quadrados aposta é “a circulação mais livre de pessoas, de capitais e de mercadorias”, na procura da diversificação da economia da RAEM.

      “Quando consumirmos na China continental, é claro que o renmimbi será a moeda. Se os residentes de Macau utilizam plataformas de pagamento móvel, estamos a comunicar com as autoridades do continente para que possam escolher a moeda a pagar, tal como acontece com os turistas do continente que vêm a Macau e também podem escolher a moeda a utilizar quando fazem pagamentos móveis. No entanto, se os residentes de Macau optarem pelo pagamento em patacas, é claro que haverá uma conversão cambial”, acrescentou o governante.

      O director dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), Tai Kin Ip, explicou ainda que a central de compensação de renminbi em Macau tem a vantagem de fornecer serviços rápidos por ter acesso directo ao Sistema Nacional de Pagamentos Avançados da China, com dois bancos do território a participar directamente no Sistema de Pagamentos Interbancários Transfronteiriços. “Esta política contribuiria então para alargar a dimensão da gestão centralizada da tesouraria do renminbi no mercado offshore de Macau, atraindo mais capital internacional a ser investido em activos em renminbi através de Macau”, fez notar o responsável na sua intervenção.

       

      Diversificação, sim. Bolsa de valores, talvez

      O secretário para a Economia e Finanças assumiu que a dependência actual do sector do jogo – 55,5% do PIB e 80% das receitas do território – tem de ser combatida e, mesmo não adiantando valores de futuro, Lei Wai Nong assegura que ao ganhar mais território, Macau passar a ter “espaço para desenvolver novos produtos turísticos”. “Temos de apostar no desenvolvimento de indústrias em áreas como saúde, financeira, tecnologia de ponta, turismo, cultural e desportiva”, voltou a reiterar o Executivo que repetiu as palavras de Xi Jinping de que “neste momento necessita-se, especialmente, de proceder empenhadamente ao desenvolvimento de Hengqin, sob cooperação entre Zhuhai e Macau, alargando espaços e injectando novas forças motrizes em prol do desenvolvimento de Macau a longo prazo”.

      O responsável governativo também não se escusou a comentar em que pé está o processo da criação de uma Bolsa de Valores, algo que já vem sendo falado desde o final de 2019, tendo ganho grande força em 2020 depois da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC) da China ter defendido publicamente essa intenção.

      “O Chefe do Executivo já especificou esta questão. Não afastamos, mas também não é um projecto urgente. Já existem obrigações emitidas em Macau e Guangdong. Temos de ver quais são as vantagens de Macau. Somos uma zona aduaneira autónoma tal como Zhuhai. Por isso podemos ter uma complementaridade de vantagens e obter benefícios mútuos. Temos as vantagens da zona de cooperação aprofundada, as vantagens de Macau. Estas podem ser desenvolvidas de forma cruzada. Queremos uma meta de 1 mais 1 igual a 2 +”, explicou Lei Wai Nong.

      O novo projecto – um espaço de “liberalização de investimento e multilateral” – trata-se de uma medida a longo prazo da China para apoiar uma implementação estável e duradoura do princípio “Um País, Dois Sistemas” em Macau e será executado em três fases, 2024, 2029 e 2035, sempre no âmbito da constituição da região da Grande Baía. Estão prometidas ainda políticas de benefícios fiscais para atrair empresas e trabalhadores, zona aduaneira autónoma e porto franco para comércio internacional. A taxa do imposto sobre o rendimento das empresas a cobrar será reduzida para 15%. Os altos quadros e os quadros qualificados ficam isentos do pagamento do montante que ultrapasse os 15% do imposto sobre o rendimento pessoal.