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      Início Política Taxa de abstenção histórica foi motivada pela desqualificação dos democratas, dizem analistas

      Taxa de abstenção histórica foi motivada pela desqualificação dos democratas, dizem analistas

      A Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) tinha justificado a taxa de abstenção histórica das eleições de domingo com a epidemia e o mau tempo. No entanto, ao PONTO FINAL, Sonny Lo e Eilo Yu fizeram uma leitura diferente dos dados e assumiram que a desqualificação dos candidatos democratas foi determinante. “A desqualificação dos candidatos democratas frustrou muitos jovens eleitores”, afirmou Sonny Lo.

      Ao contrário daquilo que afirmou Tong Hio Fong, presidente da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL), na noite das eleições, a taxa de abstenção histórica registada neste escrutínio não teve a ver com as medidas de prevenção epidémicas nem com o mau tempo. O maior factor terá sido mesmo a desqualificação dos candidatos da ala democrata. A opinião é partilhada por Sonny Lo e Eilo Yu, dois politólogos ouvidos pelo PONTO FINAL.

      O professor universitário Eilo Yu é peremptório: “Claro que a CAEAL diz que foi por causa da pandemia e do mau tempo, mas eu acredito que foi principalmente devido à desqualificação dos candidatos democratas”. Segundo as contas de Yu, com base no número de votos que as listas desqualificadas obtiveram nas eleições de 2017, se os democratas tivessem podido ir a jogo a taxa de participação subiria dez pontos percentuais, dos 42% para os 52%. “Eu acredito que alguns eleitores não foram votar por causa da questão da desqualificação”, reiterou.

      Na noite das eleições, a justificação da CAEAL foi: “Segundo as informações da CAEAL, nós analisámos preliminarmente que a pandemia afectou gravemente esta legislatura porque muitos não puderam voltar devido à epidemia e as medidas antiepidémicas afectaram a intenção de voto dos eleitores, esses são os factores principais”.

      Para Eilo Yu, a justificação da CAEAL é “uma defesa”. Até porque, lembra o politólogo, no mesmo dia registaram-se filas para entrar no recém inaugurado supermercado japonês Don Don Donki. “Aí não vejo que a pandemia tenha tido muito efeito”, notou.

      Sonny Lo é da mesma opinião e afirmou que “a desqualificação de muitos candidatos pró-democracia deixou descontentes muitos jovens eleitores que não exerceram o seu direito de voto”. No entender do politólogo especialista em assuntos de Hong Kong e de Macau, “a desqualificação dos candidatos democratas frustrou muitos jovens eleitores”.

      Para Sonny Lo, a justificação da CAEAL “é compreensível”, uma vez que “a CAEAL tem de estar alinhada com a narrativa oficial”. “Mas, do ponto de vista objectivo e académico, eu diria que a desqualificação dos candidatos teve um papel significativo na baixa taxa de participação”, frisou, acrescentando que houve ainda um outro factor que fez com que a taxa de participação fosse mais baixa do que em 2017: o tufão Hato. Segundo Sonny Lo, em 2017 muitos eleitores estavam motivados a ir às urnas depois de terem visto os candidatos a limparem as ruas depois da passagem do tufão. Desta vez, “não houve nenhum evento significativo que estimulasse a participação”.

      Sobre os resultados da noite eleitoral, Eilo Yu considerou que as forças pró-Pequim acabaram por beneficiar das desqualificações dos democratas. Ficará, assim, a Assembleia Legislativa (AL) mais colada às posições do Governo? “Eu diria que a AL já era muito próxima de Pequim”, apontou o académico, explicando: “Haverá menos vozes na AL a fazerem a fiscalização ao Governo. Apesar de Ron Lam ter sido eleito e de ter dito que iria fiscalizar o Governo, até que ponto o poderá fazer?”, interrogou.

      “As forças pró-Pequim fizeram um bom trabalho de mobilização de eleitores”, comentou Sonny Lo, destacando o facto de Agnes Lam ter ficado sem o seu lugar na AL: “Desta vez, sem tufão e com a desqualificação dos democratas, isso parece ter afectado negativamente Agnes Lam”. O facto de a lista liderada por Coutinho ter conseguido dois lugares na AL também merece um comentário de Sonny Lo: “É importante, porque é o único grupo encabeçado por um líder da comunidade portuguesa. A Nova Esperança ter dois lugares significa que não atraiu só funcionários públicos ou pró-democracia, mas também talvez alguma parte da comunidade portuguesa”.

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