Edição do dia

Segunda-feira, 26 de Fevereiro, 2024
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
nuvens dispersas
13.9 ° C
15.9 °
13.9 °
72 %
5.7kmh
40 %
Dom
16 °
Seg
19 °
Ter
20 °
Qua
20 °
Qui
21 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More
      Início Política Emprego e habitação entre as principais preocupações dos candidatos às eleições de...

      Emprego e habitação entre as principais preocupações dos candidatos às eleições de domingo

      Este domingo, os cerca de 175 mil eleitores de Macau vão poder ir às urnas para escolherem a nova composição da Assembleia Legislativa. No sufrágio directo vão a votos 14 listas, que apresentam candidatos para 14 assentos, e o PONTO FINAL compilou os traços gerais daquilo que defende cada uma das candidaturas. A Assembleia Legislativa ficará depois completa com mais 12 deputados eleitos pelo sufrágio directo e outros sete nomeados pelo Chefe do Executivo.

      com:

      Joana Chantre

       

      Acontecem no domingo as eleições para a 7.ª Assembleia Legislativa da RAEM. Como é hábito, 14 dos 33 deputados vão ser escolhidos por sufrágio directo e o PONTO FINAL mostra agora os focos e as prioridades de cada uma das 14 listas candidatas. Numas eleições que ficam marcadas pela desqualificação dos candidatos da ala democrata, há deputados que se recandidatam e novas caras que concorrem a um lugar no hemiciclo. As preocupações dos candidatos têm a ver sobretudo com o desemprego provocado pela crise da pandemia, os problemas de habitação de Macau, os transportes e a integração na Grande Baía. Na Assembleia Legislativa haverá ainda espaço para 12 deputados eleitos por sufrágio indirecto e sete nomeados pelo Chefe do Executivo. Para os cerca de 175 mil eleitores de Macau, as urnas abrem no domingo, pelas 9 horas.

       

      Zheng Anting tenta reeleição para dar resposta a problemas das PME e dos residentes

      Na ausência de Mak Soi Kun, Zheng Anting assume a liderança da lista União de Macau-Guangdong. A lista 1, que nas eleições de 2017 foi a mais votada, vai focar-se nos problemas das pequenas e médias empresas e dos residentes. A lista encabeçada por Zheng Anting assinala que a epidemia precipitou o aumento da taxa de desemprego, cortes nos salários, trabalhadores em regime de licença sem vencimento e muitas PME foram forçadas a encerrar portas, por isso, a lista pede uma nova ronda de apoios por parte do Governo. Além disso, a lista também se diz atenta ao desenvolvimento e à participação na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e aproveita para dizer que também vai promover o projecto de construção da zona de cooperação aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. A União de Macau-Guangdong diz que a experiência de Zheng Anting no hemiciclo fará com que as autoridades locais atribuam importância aos temas abordados pela lista, bem como às suas propostas.

       

      Agnes Lam dá prioridade às questões relacionadas com a pandemia

      Agnes Lam quer renovar o assento na Assembleia Legislativa. A professora universitária volta a candidatar-se como cabeça de lista do Observatório Cívico, da Lista 2, e desta vez quer dar prioridade às questões relacionadas com a pandemia. Ao PONTO FINAL, a professora universitária dá como exemplos o desemprego provocado pela crise, os residentes que viram os seus salários cortados, as famílias que não conseguem contratar trabalhadores domésticos e os cidadãos que não podem ir a Hong Kong fazer tratamento médico. Outro pontos do programa do Observatório Cívico têm a ver com a monitorização dos gastos do erário público. Depois de quatro anos no hemiciclo, Agnes Lam diz que o seu objectivo é “continuar a fiscalizar o Executivo”. “Não vamos apenas concordar com o Governo. Vamos querer que o Governo divulgue as informações para que seja mais transparente”, afirma. Para a cabeça de lista do Observatório Cívico, “o Governo tem de ser sensato e não apenas parecer sensato”. Agnes Lam diz estar confiante na sua reeleição, mas pessimista no que toca à eleição de um segundo candidato, que neste caso é Zhao Yunqiao.

       

      Mercado de trabalho, perspectivas para os jovens e Hengqin entre os focos de Si Ka Lon

      Para a lista da Associação dos Cidadãos Unidos de Macau, encabeçada por Si Ka Lon, as prioridades são as fragilidades económicas deixadas à vista pela crise da pandemia, o emprego, as perspectivas dos jovens e a cooperação de Macau com Guangdong em Hengqin. Ao PONTO FINAL, o deputado que agora se recandidata começa por dizer que “o coração do povo é o nosso coração” e que a lista 3 quer usar a Assembleia Legislativa para dar voz às preocupações dos residentes. Devido ao “mercado de trabalho em retracção” e às “poucas perspectivas dos jovens”, o Governo deve “tomar a iniciativa de responder às alterações” provocadas pela pandemia. “Através de uma operação profissional e orientada para o mercado, podemos potenciar os recursos de várias partes e reunir os esforços de todos os sectores para acelerar a construção da zona de cooperação aprofundada Guangdong-Macau em Hengqin”, afirma, explicando que esta aposta poderia diversificar a economia local. A lista da Associação dos Cidadãos Unidos de Macau também se diz preocupada com a situação das pequenas e médias empresas. Tal como Si Ka Lon, Song Pek Kei, que é a segunda da lista, também quer ser reeleita.

       

      Latonya Leong quer chegar à AL para apoiar jovens e promover trocas comerciais com a lusofonia

      A lista Plataforma para os Jovens candidata-se pela primeira vez à Assembleia Legislativa com o objectivo de incentivar as políticas de apoio aos jovens na construção das suas carreiras e na sua formação profissional. A lista 4 é liderada por Latonya Leong, que explica ao PONTO FINAL que outro dos objectivos é promover as vantagens de Macau enquanto plataforma económica e comercial entre a China e os países de língua oficial portuguesa. Segundo a cabeça de lista, a cooperação com o mundo lusófono pode trazer vantagens em negócios, investimentos, turismo e cultura. Por outro lado, Latonya Leong, profissional bilingue, diz querer promover a modernização de políticas para “melhorar o nível de vida da população”, como o emprego dos jovens, a formação de empresários bilingues e a melhoria do trânsito de Macau, por exemplo. Além disso, o objectivo passa também por fortalecer as relações comerciais com a lusofonia para exportar para a China matérias primas, alimentares e vinhos. Leong diz também que quer promover a construção de um Museu do Café em Macau, bem como a cultura lusófona.

       

      O planeamento urbanístico no centro das propostas de Chan Tak Seng

      O planeamento urbanístico é a bandeira da campanha da lista 5, Energia Colectiva de Macau. Encabeçada por Chan Tak Seng, esta lista foca-se na optimização da habitação, do trânsito, da prevenção das inundações, da renovação urbana e da preservação do património cultural. Chan Tak Seng é antigo vogal do Conselho de Planeamento Urbanístico (CPU) e fundador do Grupo para a Salvaguarda do Farol da Guia. Ao PONTO FINAL, o cabeça de lista indica que outra das preocupações é o combate às pensões ilegais. Por outro lado, a lista 5 quer chegar à Assembleia Legislativa para “lutar pelo acesso ao emprego” e pela “vida da população”. Chan Tak Seng assinala que a sua lista tem elementos de diferentes ‘backgrounds’, sendo que a prioridade irá para a sua eleição. “No entanto, dois [lugares na Assembleia Legislativa] seria melhor para nós”, diz, concluindo que nos últimos 16 anos o grupo tem-se feito ouvir na sociedade. No entanto, “agora é altura de termos um lugar na Assembleia Legislativa para que o Governo nos ouça directamente”.

       

      Poder da Sinergia dá prioridade aos transportes, habitação e infraestruturas

      À frente da lista 6, Poder da Sinergia, está Ron Lam, que diz querer levar sangue novo à Assembleia Legislativa. “Temos novos pensamentos, queremos fazer a diferença”, assume ao PONTO FINAL, acrescentando que a ideia é promover “mudanças simples a bem da sociedade de Macau”. As prioridades do Poder da Sinergia são os transportes, a habitação, as inundações nas zonas baixas da cidade e as infraestruturas. A lista diz também que deve haver menos burocracia, e que o Governo deve resolver os problemas com “atitude científica, objectiva e pragmática”. Ron Lam é assistente social e diz que a sua mais-valia, em comparação com os outros candidatos, é a experiência que tem a ajudar os residentes de Macau. “Eu tenho mais de 10 anos de experiência a resolver os problemas da sociedade. Eu lidei com mais de mil casos nos últimos quatro anos”, sublinha. O cabeça de lista diz que a expectativa é eleger apenas um mandato. “Mas se mais cidadãos tiverem conhecimento do nosso trabalho, talvez possamos ter dois”, ressalva. Ron Lam, recorde-se, concorreu também às legislativas de 2017, porém não conseguiu ser eleito.

       

      Angelo Choi promete tornar Macau num lugar “cheio de esperança e sonhos” 

      O primeiro candidato da lista 7, Força do Diálogo, afirma que a sua vantagem nesta corrida é o de ser estreante, considerando ser “refrescante” para o ambiente político de Macau. Como prioridade, Angelo Choi sugere mais medidas práticas e realistas, que abranjam pessoas de todos os estratos sociais, nomeadamente funcionários públicos, médicos de medicina tradicional chinesa, atletas e empresários. Choi acredita que pode representar todas as camadas de Macau e refere também que os assuntos sociais são foco da sua campanha. O trabalhador de serviços sociais promete fazer de Macau “um lugar cheio de esperança e sonhos”. A curto prazo, porém, o destaque irá para a crise económica provocada pela pandemia, nomeadamente no que toca à flexibilização das fronteiras com o interior da China e os assuntos relacionados com o emprego dos residentes e o preço da habitação. Angelo Choi não quis revelar quais as expectativas sobre o número de candidatos da lista a serem eleitos, referindo apenas que “isso deve ser deixado ao público para decidir”.

       

      Bem-estar, emprego, legislação, PME e Grande Baía entre as preocupações da lista 8

      A União Promotora para o Progresso não tem, nestas eleições, Ho Ion Sang como cabeça de lista, já que o deputado se recandidata através das eleições indirectas. À frente da lista 8 está agora Leong Hong Sai. A União Promotora para o Progresso tem cinco pontos na sua agenda. O primeiro dos quais tem a ver com o bem-estar da população, nomeadamente no que tem a ver com os problemas de habitação, trânsito e transportes públicos. A segunda prioridade da lista é o estímulo ao emprego, principalmente para os jovens recém-graduados. Em terceiro lugar, a lista 8 quer ver as leis relacionadas com a economia, educação e construção actualizadas, de forma a promover o desenvolvimento desses sectores. Em quarto lugar, a lista liderada por Leong Hong Sai quer promover o desenvolvimento das pequenas e médias empresas e acompanhar a revisão da lei do jogo. Por fim, o foco da União Promotora para o Progresso também quer acompanhar o desenvolvimento de Hengqin. Leong Chon Kit, número quatro da lista, adiantou ao PONTO FINAL que o objectivo é eleger um candidato. “Temos vindo a trabalhar na comunidade ao longo de muito tempo. Nós sabemos o que Macau precisa”, disse.

       

      Lista encabeçada por Wong Kit Cheng diz que a família deve ser a prioridade da sociedade

      A Lista Aliança de Bom Lar, liderada por Wong Kit Cheng, diz ao PONTO FINAL que, face à pandemia, Macau precisa de acelerar o ritmo de diversificação das suas indústrias e o Governo deve apostar na indústria financeira e na medicina tradicional chinesa. A enfermeira refere que o planeamento urbanístico também é importante e sugere que o Governo deve apresentar o mais rapidamente possível os seus planos para acelerar a renovação urbana e melhorar a qualidade de vida de Macau. “A pressão económica tem sido enorme e preservar a economia é também uma forma de preservar a estabilidade social”, assinala a líder da lista 9, sugerindo que o Governo avalie a eficácia do plano de consumo electrónico e conceda nova ronda de apoios. A deputada, que procura a reeleição, indica que o Governo deve incentivar à natalidade prolongando a licença de maternidade e paternidade, bem como melhorar as condições para as crianças.

       

      Ou Mun Kong I pede apoios para os idosos

      A lista Ou Mun Kong I entrou na corrida à Assembleia Legislativa apenas com três candidatos. O cabeça de lista original, Lee Sio Kuan, foi arredado pela Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL), e mais tarde o segundo da lista, Ho Ion Kong, desistiu. Assim, o líder da Ou Mun Kong I passou a ser Ma Kuok Choi. A lista tem como prioridades as necessidades dos idosos e dos cidadãos mais desfavorecidos. A Ou Mun Kong I sugere a atribuição de um subsídio de seis mil patacas por mês aos idosos e um plano de reformas que englobe todos os residentes. Além disso, é sugerida também uma nova ronda de apoio pecuniário, a implementação de legislação anti-corrupção e a formação de talentos no campo da medicina.

       

      Emprego como foco prioritário de Ella Lei

      É com o foco no emprego que Ella Lei se recandidata ao cargo de deputada à Assembleia Legislativa. A cabeça de lista da União para o Desenvolvimento diz estar consciente das dificuldades financeiras e na procura de emprego dos residentes devido à pandemia, e por isso pede ao Governo que melhore os mecanismos de importação de mão-de-obra e que dê prioridade aos residentes locais à procura de emprego. Por outro lado, a lista 11, que tem como segundo candidato o também deputado Leong Sun Iok, pede ao Executivo mais um plano de consumo electrónico para os residentes no valor de oito mil patacas. A União para o Desenvolvimento quer também uma melhoria da legislação laboral, com o objectivo de aumentar o número de dias de férias anuais remuneradas e uma melhor protecção aos trabalhadores. Outra das preocupações da lista tem a ver com a habitação, sendo que, na opinião de Ella Lei, o Governo deve estabelecer objectivos anuais claros para a construção de diferentes tipos de habitação. Por fim, a União para o Desenvolvimento quer também que o Executivo aproveite melhor os terrenos recuperados para construir instalações sociais e de lazer.

       

      Nelson Kot diz querer ser uma nova voz na AL para transmitir opiniões dos cidadãos

      Nelson Kot está à frente da lista 12, Poderes do Pensamento Político. A candidatura que se vai focar nos problemas da função pública vai também debruçar-se sobre a habitação, trânsito, bem-estar dos idosos e concessões de jogo, por exemplo. Kot, antigo funcionário da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), foi também candidato às eleições de 2017, mas não conseguiu ser eleito. Desta vez, explica que a mais-valia da sua lista está no facto de a maioria dos integrantes serem funcionários públicos no activo ou aposentados. Ao PONTO FINAL, o número um da lista Poderes do Pensamento Político diz que quer fazer com que a Assembleia Legislativa “tenha uma nova voz para levantar questões dos cidadãos”. Nelson Kot diz querer usar o seu eventual assento no hemiciclo para fiscalizar as acções do Governo. O candidato diz que a prioridade é garantir um mandato, mas ressalva que dois “seria melhor”.

       

      Promoção da Lei Básica é a aposta da lista 13

      O foco de Zhou Xinzheng é a promoção da Lei Básica. A lista 13, Aliança para a Promoção da Lei Básica de Macau, aposta na divulgação do documento por considerar ser uma âncora de Macau. O cabeça de lista, licenciado em Direito na China e nascido na província de Henan, disse ao PONTO FINAL ter uma crença “indestrutível” na construção de uma Macau “justa baseada no Estado de Direito”. As prioridades da lista 13 são, então, mostrar os direitos de cada cidadão, melhorando assim as suas vidas. “Quanto mais os cidadãos souberem acerca da lei vigente, quanto mais se podem proteger”, afirma, acrescentando que para o princípio ‘Um País, Dois Sistemas’, estar salvaguardado, tal como a prosperidade e estabilidade da sociedade, é necessário que a Lei Básica seja aplicada eficazmente. Zhou Xinzheng diz ainda estar à espera de ser eleito como deputado à Assembleia Legislativa.

       

      Coutinho quer renovar lugar na AL com foco na habitação

      José Pereira Coutinho foi eleito como deputado à Assembleia Legislativa pela primeira vez em 2005. Agora, quer renovar a posição e, através da lista Nova Esperança, dá prioridade aos problemas de habitação de Macau. “Nos últimos mais de 20 anos os cidadãos de Macau andam preocupados com a questão da habitação”, aponta, sugerindo que o método de atribuição de habitação pública passe a estar ancorada à taxa de natalidade. Deste modo, diz o líder da lista 14, “o problema estaria resolvido, na medida em que se os residentes forem solicitando casas, de imediato a administração teria em mãos as respectivas casas e isto facilitaria a vida dos cidadãos”. O cabeça de lista da Nova Esperança diz que vai manter a “independência, isenção e inexistência de conflitos de interesses” na Assembleia Legislativa. Apesar de dizer que os cidadãos “sabem que a Nova Esperança é uma voz de confiança e uma voz que não tem medo de confrontar desafios”, Coutinho diz esperar somente um lugar no hemiciclo.