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      Início Política Economistas concordam: espaço e regime fiscal de Hengqin vão permitir diversificar economia

      Economistas concordam: espaço e regime fiscal de Hengqin vão permitir diversificar economia

      Pequim promulgou oficialmente no domingo o Projecto geral de construção da zona de cooperação aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. A iniciativa, que tem como objectivo dar ferramentas a Macau para diversificar a sua economia, mereceu aplausos do Governo e, ao PONTO FINAL, economistas locais também elogiaram o projecto. Segundo Henry Lei, Toro Chen e Carlos Siu, o grande benefício para as empresas de Macau é a possibilidade de usar o espaço físico da Ilha da Montanha para desenvolverem os seus negócios.

      O Projecto geral de construção da zona de cooperação aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin vai permitir, através do espaço físico da Ilha da Montanha e de benefícios fiscais, diversificar a economia de Macau. É esta a conclusão a que chegam três economistas locais ouvidos pelo PONTO FINAL na sequência da promulgação do projecto por parte do Governo Central.

      Segundo tinha explicado o Governo de Macau, o projecto vai criar espaço e condições para o desenvolvimento da diversificação adequada da economia de Macau e o foco irá para o desenvolvimento da indústria de ‘big health’ como ponto de partida de investigação, o desenvolvimento e produção de medicamentos tradicionais chineses, a indústria financeira moderna, a tecnologia de ponta, as convenções e exposições e sector comercial e ainda as indústrias cultural e desportiva.

      Por outro lado, o projecto prevê a articulação transfronteiriça entre Guangdong e Macau na área dos serviços públicos e segurança social, com vista a proporcionar aos residentes de Macau serviços aperfeiçoados, um maior espaço com qualidade de vida, bem como fornecer condições de vida mais favoráveis.

      O projecto prevê um imposto sobre o rendimento pessoal cobrado à taxa de 15%, uma taxa de imposto sobre o rendimento de 15% para empresas qualificadas, será permitida a dedução de uma vez do cálculo do imposto no período corrente das despesas e também a isenção de imposto sobre investimentos do exterior obtidos por empresas de turismo, serviços modernos e tecnologia. Além disso, haverá uma isenção de pagamento de imposto à saída de Macau e a isenção de imposto aduaneiro de importação para mercadoria ao entrar no interior da China a partir de Hengqin.

       

      ESPAÇO E BENEFÍCIOS FISCAIS COMO PRINCIPAIS INCENTIVOS

      Henry Lei, professor de Economia da Universidade de Macau, começa por afirmar que o projecto abre um novo espaço à região. Um espaço que vai “permitir às empresas de Macau aproveitarem os benefícios fiscais e de requisitos de investimento, possibilitando que estas se sediem em Hengqin”.

      Segundo o académico, os benefícios são suficientes para impulsionarem as empresas locais a fazerem negócio também com o interior da China: “Os produtos poderão ser vendidos no país livres de qualquer tarifa. Isto vai dar-lhes um novo mercado”. Vai também “permitir operar em Hengqin num ambiente de negócios mais favorável e aumentando o desenvolvimento de novos sectores, nas áreas das tecnologias, medicina tradicional chinesa, finança, exposições e convenções, etc.”.

      Este será “um novo espaço para fazer negócio e com condições fiscais mais favoráveis; é um novo mercado”, descreve Henry Lei, sublinhando que vai ser “uma grande ajuda para a diversificação económica de Macau”. “Nós precisamos de espaço, de um maior mercado, e Hengqin oferece espaço e vantagens fiscais, bem como facilidades regulatórias”, reitera.

      E os residentes, quererão mudar-se para a Ilha da Montanha? “Alguns residentes enfrentam grandes dificuldades de habitação e vivem no centro da cidade, onde os serviços sociais são um problema. Hengqin vai dar condições muito melhores, o que vai encorajar os residentes locais a irem para lá e a trabalharem em Hengqin”, responde, assinalando também que o projecto prevê mobilidade e facilidade na passagem fronteiriça entre Hengqin e Macau, transportes e serviços sociais.

      “As condições são muito atractivas, mas temos de esperar até que as empresas comecem a sediar-se em Hengqin, para poderem atrair os residentes para ficarem ali e acelerar o desenvolvimento de Hengqin”, conclui Lei.

       

      UM PROJECTO A LONGO PRAZO QUE RESOLVE A ESCASSEZ DE TERRENOS

      Opinião semelhante tem Toro Chen, também ele professor de Economia na Universidade de Macau: “Vai ser muito bom para o desenvolvimento a médio e longo prazo de Macau. Poderá ajudar Macau a diversificar a sua economia, para não estar demasiado dependente do jogo e do turismo, e expandir outros sectores”.

      O docente da Universidade de Macau lembra que o projecto tem como objectivo beneficiar a indústria financeira, da medicina e da tecnologia, por exemplo. Toro Chen diz mesmo que a Universidade de Macau pode vir a dar um contributo para a indústria financeira, uma vez que já está a oferecer cursos de pós-graduação na área. “Tentamos dar quadros qualificados para apoiar estes sectores em particular”, aponta Chen.

      “Este projecto vai dar recursos de terrenos suficientes para o Governo de Macau. Com estes recursos, o Governo de Macau vai poder fazer mais e deslocar algumas indústrias para Hengqin”, diz o economista, sublinhando que o imposto sobre o rendimento de 15% “pode atrair talentos do exterior para trabalharem aqui e vai dar um melhor ambiente de negócios para as empresas”. “É um incentivo excelente para que os empreendedores comecem os seus próprios negócios”, conclui.

      Carlos Siu, professor do Centro Pedagógico e Científico nas Áreas do Jogo e do Turismo do Instituto Politécnico de Macau, comenta que este projecto “é o abrir de oportunidades de negócio para Macau no sentido de desenvolver a sua economia”.

      Siu é mais cauteloso e diz que é preciso esperar para ver os resultados práticos e diz que este é um projecto a médio-longo prazo. “O Governo Central está a tentar dar uma base. Vamos ver se haverá empresas interessadas em fazer este tipo de iniciativa”, refere, sugerindo que pode haver empresas de Macau a mudarem-se para Hengqin através de ‘joint ventures’.

      O economista diz que, à partida, as empresas de Macau terão interesse em mudarem-se para Hengqin devido à falta de espaço no território. “Macau não tem terrenos suficientes para dar apoio à indústria. Isto vai resolver este problema; os terrenos lá não serão tão caros”, aponta. Também no que toca aos residentes, deverá haver interesse: “Se os residentes realmente virem que existe possibilidade de ganharem dinheiro em Hengqin, claro que estarão interessados em ir”.