Imunidade de grupo? Aparentemente é um cenário que não se vislumbra no horizonte. Os Serviços de Saúde revelaram ontem, na habitual conferência sobre a Covid-19, que apenas 47,3% da população está vacinada contra a doença que há mais de um ano causa o caos no mundo, quando na verdade a Organização Mundial da Saúde (OMS) concluiu em Maio passado, muito por culpa das diferentes variantes do coronavírus, que a imunidade de grupo só se atinge quando 80% a 85% da população estiver inoculada.

“Estamos com uma taxa de vacinação baixa. Singapura e Hong Kong já nos ultrapassaram”, constatou o médico Tai Wai Hou, coordenador do plano de vacinação no território, enquanto mostrava aos jornalistas um gráfico exemplificativo.

Dados de ontem mostram que a região vizinha tem uma taxa de vacinação de 47,8% com mais de três milhões de pessoas inoculadas com as duas doses da vacina. Já a cidade-estado está mais perto da almejada imunidade de grupo com uma taxa a rondar os 76%, com mais de quatro milhões de pessoas totalmente vacinadas contra a doença.

Em Macau, na verdade, pouco mais de 268 mil pessoas estão totalmente vacinadas contra a Covid-19 no território que terá, actualmente, cerca de 650 mil habitantes. Dados relativos ao dia de ontem mostram ainda que foram administradas até ao momento 590.025 doses de vacinas contra a Covid-19. 323.424 pessoas foram inoculadas, sendo que a primeira dose já foi administrada a 54.921 indivíduos e 268.503 pessoas estão totalmente imunizadas, com duas doses da vacina.

Com a velocidade a que a vacinação está a decorrer, muito dificilmente a tão desejada imunidade de grupo será atingida este ano, pelo que as restrições, o distanciamento social e o uso de máscara facial são para continuar.

 

Plano de testagem em massa aprimorado

Para as autoridades de saúde, o grande anúncio de ontem prendeu-se com o novo plano de testagem em massa, renovado e aprimorado, pronto para qualquer eventualidade, por forma a evitar o “caos” que foi o primeiro teste em massa no território, no início deste mês.

O director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo, assumiu os problemas do teste e revelou novidades. “Se necessário, o número de centros de teste aumentará de 10 para 52, com sete centros definidos para pessoas com necessidades especiais, como idosos com mais de 80 anos, crianças até três anos e mulheres grávidas, e o número de centros de análise de amostragem aumentou de 98 para 367”, anunciou.

A primeira testagem em massa, principalmente no seu primeiro dia, não correu nada bem. O plano sofreu diversos incidentes, como falhas no sistema de agendamento, já para não falar das longas filas em quase todos os centros de teste espalhados pelo território.

O director dos Serviços de Saúde revelou ontem que o processo de amostragem será optimizado para qualquer eventualidade futura. Isso inclui “o aumento da força de trabalho disponível, a melhoria do treino do pessoal para amostragem nasofaríngea e orofaríngea, bem como a implementação de um ‘backup’ mais fiável para os sistemas de consulta de teste on-line e código de saúde”.

Se ocorrer, no futuro, um plano de testagem em massa, é obrigatório o mesmo ser agendado online. Todos os residentes só poderão entrar no local de recolha da amostra uma hora antes do que consta na sua reserva. O renovado sistema online também permitirá mostrar a quantidade de pessoas à espera em cada posto, bem como o tempo de espera previsto e o número de amostras já recolhidas, com actualizações a cada 15 minutos.

Para ajudar na compreensão, o tempo estimado de espera de cada local de teste será dividido em três cores: vermelho, amarelo e verde. Verde significa um tempo de espera previsto de menos de meia hora; amarelo um tempo de espera previsto de 31 a 59 minutos; e vermelho um período de espera superior a uma hora.

As autoridades também anunciaram na conferência de imprensa que Macau deverá facilitar, a partir do dia 1 de Setembro, o período de validade do teste de ácido nucleico para a Covid-19 às pessoas que chegam em voos directos da China continental. Mas isso só deve ser possível caso a caso e se a situação no continente “continue a estabilizar”, revelou a coordenadora do Núcleo de Prevenção e Vigilância da Doença, Leong Iek Hou.

A médica acrescentou que, a partir dessa data, as pessoas que pretendam entrar em Macau vindas num voo directo do continente serão obrigadas a possuir um certificado de teste de ácido nucleico emitido até sete dias antes, provando que dão negativo para infecção por SARS-CoV-2.

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