Edição do dia

Quinta-feira, 29 de Setembro, 2022
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
nuvens dispersas
27.9 ° C
29.4 °
27.9 °
89 %
6.2kmh
40 %
Qui
28 °
Sex
28 °
Sáb
29 °
Dom
29 °
Seg
30 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More
      Início Economia Erros e omissões ensombram superavit de 21,3 mil milhões de patacas da...

      Erros e omissões ensombram superavit de 21,3 mil milhões de patacas da Balança de Pagamentos

      As exportações de mercadorias cresceram 129,3% em termos anuais. Já os activos financeiros não reserva registaram uma saída líquida de 31,9 mil milhões de patacas durante o ano passado. O excedente registado na conta de serviços caiu de 310 mil milhões de patacas para 60,4 mil milhões. A estimativa preliminar revela, contudo, um valor de 29,5 mil milhões de patacas em erros e omissões, considerado muito elevado pelo economista Albano Martins.

      A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) divulgou ontem a estimativa preliminar da Balança de Pagamentos (BP) da RAEM de 2020 que revela um superavit de 21,3 mil milhões de patacas, do qual se destaca o saldo positivo de 23,7 mil milhões na conta corrente e um aumento de 31,9 mil milhões nos activos financeiros líquidos não reserva.

      Ainda assim, a AMCM, no relatório final, não revela que existe um valor de 29,5 mil milhões de patacas em erros e omissões, presente na balança, conforme explicou ao PONTO FINAL o economista Albano Martins. “A AMCM tem de fazer mais progressos na apresentação das coisas. Nunca tinha visto erros e omissões que devem ser residuais desta dimensão, superior ao saldo da balança. No ano anterior, cinco vezes superior ao saldo da balança”, começou por dizer o especialista em macroeconomia.

      O economista considera o valor “elevadamente colossal” quando deveria “ser sempre residual”. “O que se passa? Porque é que esse valor não ronda os 4 a 6%? Como acontece, por exemplo, no mundo moderno. Em Portugal, por exemplo. O erro tem uma dimensão de 48,8% da balança de serviços de Macau. Em Portugal é de apenas 6,1%”, nota Albano Martins.

      Mas final como se fazem as contas? De acordo com o economista português, que também trabalhou no passado na AMCM, é simples. “Saldo da balança corrente e de capitais foi de 23,7 mil milhões de patacas, mais ou menos, pois o valor da balança de capitais foi de milésimas. Como o saldo dos activos financeiros não reserva foi de 31,9 mil milhões de patacas, então a diferença dá um valor negativo de -8,2 mil milhões. Ora como os activos da reserva aumentaram 21,3 mil milhões, então faltam somar aos -8,2 mil milhões, o valor de 29,5 mil milhões como omissões ou erros para dar 21,3 mil milhões de patacas, porque tudo tem de dar certo. Por isso é que é uma balança”, explicou ao PONTO FINAL.

      Albano Martins analisa ainda a balança de 2019 onde a AMCM revelou valor negativo de erros e omissões de 60,3 mil milhões de patacas. “Estes valores têm de ser residuais. Quando os erros e omissões têm valores elevados significa que não se dominam todos os fluxos de forma aceitável. Em Portugal, o peso dos erros e omissões relativamente às suas balanças de bens e de serviços foi de apenas 4,3 e 6,1 por cento em 2020. Em Macau, esse peso em 2020 foi de 45,6 e 48,8 por cento. Isto não é uma crítica à AMCM, mas é preciso serem muito mais precisos no cálculo da Balança de Pagamentos, pois assim não dá credibilidade aos valores divulgados”, concluiu.

       

      Exportações em alta

      As exportações de mercadorias cresceram 129,3% em termos anuais, enquanto as importações de mercadorias ascenderam ligeiramente 0,1%, o que resultou num decréscimo do deficit da conta de mercadorias, de 84,0 mil milhões de patacas em 2019 para 64,6 mil milhões em 2020. Ao mesmo tempo, o valor total das exportações de serviços diminuiu 75,3% no ano passado, devido às exportações de serviços turísticos terem descido drasticamente em consequência da pandemia de Covid-19, enquanto as importações de serviços desceram 36,3%. Nesse sentido, caiu entre 2019 e 2020 o superavit registado na conta de serviços, de 310 mil milhões de patacas para 60,4 mil milhões.

      Na conta de rendimento primário, que reflecte os fluxos transfronteiriços dos rendimentos dos factores, a AMCM refere que o valor da entrada diminuiu entre 2019 e 2020, de 69,5 mil milhões de patacas para 55,5 mil milhões, enquanto o valor da saída desceu de 120,7 mil milhões para 15,4 mil milhões, tendo-se registado o ano passado uma entrada líquida de 40,1 mil milhões de patacas. A conta de rendimento secundário, que inclui as transferências correntes entre residentes de Macau e não residentes, registou uma saída líquida de 12,2 mil milhões de patacas em 2020, o que representa um decréscimo de 11,1 mil milhões face à saída líquida do ano anterior.

      Em 2020, o superavit da conta corrente desceu 127,8 mil milhões, face a 151,5 mil milhões registados em 2019, visto que o superavit observado no comércio de serviços e a entrada líquida de rendimento primário compensaram o deficit do comércio de mercadorias e a saída líquida de rendimento secundário, explica a AMCM.

      Os activos financeiros não reserva registaram menos 46,9 mil milhões face à registada em 2019. A AMCM destaca que o investimento directo inverteu a sua tendência, passando de uma entrada líquida de 44,3 mil milhões de patacas em 2019 para uma saída líquida de 63,6 mil milhões em 2020, principalmente devido à redução notável de passivos de investimento directo. A saída líquida da carteira de investimentos diminuiu de 126,1 mil milhões de patacas em 2019 para 48,4 mil milhões em 2020, em virtude da desaceleração significativa do crescimento da carteira de investimentos externos dos residentes de Macau (excluindo as reservas cambiais da RAEM) durante o ano de referência. Por seu turno, o saldo de outros investimentos inverteu o seu sentido, passando de uma saída líquida de 1,7 mil milhões de patacas em 2019 para uma entrada líquida de 77,3 mil milhões em 2020, uma vez que o aumento de outros passivos externos dos residentes de Macau superou o de outros activos externos. A par disso, os derivados financeiros continuaram a registar em 2020 uma entrada líquida e atingiram 2,8 mil milhões de patacas.

      Os activos de reserva na conta financeira visam mostrar variações das reservas cambiais da RAEM detidas pela AMCM. Eliminado o efeito das variações do preço e da taxa cambial, entre outros, os activos de reserva aumentaram 21,3 mil milhões de patacas em 2020 (tinham aumentado 12,1 mil milhões em 2019), reflectindo um constante superavit na BP global.

      Composta pela conta corrente, conta de capital e conta financeira, a BP é um registo estatístico integrado que apresenta os resultados das transacções externas entre um sistema económico e todo o mundo. É compilado de acordo com o padrão promovido pelo “Manual da Balança de Pagamentos e Posição de Investimento Internacional”, editado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Os dados revistos e finalizados serão publicados em relatório estatístico pormenorizado, a divulgar em Dezembro próximo.

      DEIXE UMA RESPOSTA

      Por favor escreva o seu comentário!
      Por favor, escreve aqui o seu nome