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      Associação de ‘live streamers’ sugere mudança de comportamentos e hábitos de compra

      A Câmara do Comércio França-Macau organizou ontem um seminário no Hotel Sofitel acerca do papel dos influenciadores ‘live streamers’ que se dedicam a fazer vídeos longos, em directo, onde pretendem vender variados produtos através de diferentes plataformas de comércio de largo alcance populacional. O orador, José Chan Fernandes, ‘emcee’ frequente em diversos eventos no território, lidera agora como director a Associação de Live Streamers de Macau, e fala em “revolução” de como as pessoas em Macau fazem compras online.

      Desde o início da pandemia que as variadas indústrias foram obrigadas a reinventarem-se e a criarem mais estratégias de marketing e de técnicas de venda. Os ‘Formadores de Opinião’, melhor conhecidos por ‘Key Opinion Leaders (KOL)’, são pessoas que procuram ter credibilidade sobre um assunto específico, usando essa mesma credibilidade para tentar direccionar a opinião das pessoas. Encontram-se frequentemente nas redes sociais, porém não usam apenas essas plataformas para exercer a sua influência ou realizar trabalhos.

      Os ‘live streamers’ são muitas vezes KOL’s que utilizam as suas habilidades de uma maneira ainda mais diversificada, fazendo transmissão de vídeos de venda, normalmente comissionados por grandes empresas ou plataformas de comércio online, como o Taobao por exemplo.

      Ontem, o director-geral da Associação de Live Streamers de Macau, José Chan Fernandes, foi o orador de um seminário no Hotel Sofitel organizado pela Câmara do Comércio França-Macau acerca da indústria de que faz parte e como se tem desenvolvido neste clima de pandemia, possíveis oportunidades e desafios, e como negócios locais poderão utilizar e beneficiar desta tendência que está em rápido crescimento na China e em Macau.

      “Para a apresentação que fiz aqui falei da minha experiência como ‘live streamer’ para a Sands e diferentes empresas em Macau no ano passado, através da Taobao”, refere. “Quis demonstrar que é uma ocupação que não acontece de uma forma contínua e estável no início, e que pessoalmente apenas a faço talvez uma ou duas vezes por mês, ao contrário dos canais ao vivo na China continental, que o fazem todas as noites”, explicou.

      O especialista explica que esta indústria de venda online é ainda muito pouco desenvolvida no território, sendo preciso empenho mais para encontrar pessoas interessadas para o fazer. “Desde Março deste ano que temos oito ‘live streamers’ em Macau e esforçamo-nos muito por fazer uma programação regular no Taobao. Alguns deles fazem programação sete dias por semana até, quando podem”, referiu.

      A indústria, que é muito virada para o público chinês do continente, procura servir como um tipo de intermediário com competências mais viradas para as vendas de variados produtos. “Um ‘live stream’ pode durar 4 ou 5 horas, e nós temos que nos dedicar a vender qualquer produto, usando o nosso carisma e personalidade para manter o público interessado e empenhado”, explicou.

      José Chan Fernandes refere que a dificuldade que tem tido em desenvolver-se mais e em maior escala no mundo do ‘live stream’ deve-se principalmente a três questões: os produtos de Macau ainda não estão bem preparados, as pessoas aqui não estão dispostas a passar demasiado tempo a ver canais ao vivo, e devido a Macau ser um lugar onde se pode comprar tudo muito facilmente devido à distância curta. “Não se tem de comprar online e esperar que o produto seja enviado para a sua casa. Esses tempos de espera não são realmente necessários em Macau, ao contrário da China, onde muitas pessoas vivem muito longe da cidade e precisam realmente de comprar algo online para satisfazer as suas exigências de vida. Por isso estamos a tentar mudar o comportamento e hábitos das pessoas aqui, e fazê-las compreender que se vierem ao meu canal [de ‘live stream’] podem encontrar coisas mais baratas, com descontos, e até prémios”, assinala.

      Ainda assim, com todas as dificuldades com que se depara, José Chan Fernandes está a trabalhar para cooperar com algumas das grandes exposições e eventos em Macau, tais como a MIF. “Temos de nos debruçar mais em produtos relacionados com a indústria de serviços, mas precisamos de apoio, precisamos que as pessoas saibam que há alguém a trabalhar online em Macau neste momento. O Governo de Macau também quer acelerar um pouco mais esta indústria, mas na verdade ainda são necessários mais alguns meses para chegar a um ponto que seja financeiramente viável para nós sustentarmos este tipo de plataforma de vendas”, concluiu.